Uma Dose de Música: Devaneios Sonoros #2 [+ Entrevista com Maglore]

Cobertura do Evento

Por Thaís Melo

A 2ª Edição do Devaneios Sonoros ocorreu na última sexta-feira (14), na casa de shows VIP Lounge Bar. Dessa vez, o evento, realizado pelo Coletivo Suiça Bahiana, ocorreu em apenas um dia e contou com a apresentação de quatro atrações, nesta ordem: Shau & os Anéis de Saturno, Maglore, DJ Lirali e Paulinha Chernobyl, que não foi divulgada na programação original, mas, sem dúvida, foi uma excelente atração surpresa.

O evento começou já com a apresentação da banda Shau & os Anéis de Saturno, banda de pop rock de Vitória da Conquista, formada desde 2002, com dois álbuns lançados e o terceiro, intitulado Canções de Amor, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2017. Particularmente, eu adorei o show da banda, especialmente, por se tratar de uma atração musical que marcou minha adolescência, mas que nunca mais eu tinha visto se apresentar. Cantei a plenos pulmões as composições já antigas da banda, como “Os Dias”, e também um velho cover que eles já fazem há algum tempo, “Carta aos Missionários”. Mas nem só de músicas antigas a banda se valeu, afinal, prestes a lançar seu novo álbum, Shau & os Anéis de Saturno não poderia deixar de apresentar algumas de suas músicas novas com direito até a clipe passando no telão logo atrás. Foi um ótimo show.

Shau & Os Anéis de Saturno (Foto: Natália Silva)
Shau & Os Anéis de Saturno (Foto: Natália Silva)
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Prit e Thai representando o blog Uma Dose Para O Meu Dia (Foto: Natália Silva)

Na sequência, a Maglore subiu ao palco para se apresentar. Sem dúvida, foi um show para todos os gostos. Apesar do que disseram na coletiva de imprensa, que só iriam tocar uma música do primeiro álbum, até que o repertório foi bastante variado, incluindo várias músicas de todos os três álbuns já lançados pela banda. Eu, como fã inveterada do primeiro álbum, Veroz, não me contive quando ouvi tocarem minhas músicas preferidas, pulei muito e novamente gastei os meus pulmões cantando “A Sete Chaves”, ”Lápis de Carvão”, “Todos os Amores São Iguais” e “Demodê”.  Foi um ótimo show, estávamos mesmo com saudade da Maglore.

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Finalizando a noite, vieram as DJs. A DJ Lirali foi a primeira a se apresentar, com seu som mais eletrônico. Em seguida, veio Paulinha Chernobyl fazer dupla com ela, com seu repertório que anima qualquer festa e faz todo mundo dançar e rebolar, até mesmo se estiver com o pé doendo – no caso, eu hehe. E assim se encerrou mais uma noite linda realizada graças ao amor e o suor do Coletivo Suiça Bahiana.

 

Coletiva de Impresa

Por Prit Amaral

“Eu acho que a gente faz sucesso, mas a gente não é famoso. Sucesso é o carinho da galera, é a galera chegar e cantar junto. Não importa se tem 10, se tem 15 pessoas. O Viela foi um dos principais lugares onde a Maglore se formou, porque, fora de Salvador, o início da gente era todo vindo tocar em Vitória da Conquista. Então a gente não persegue essa coisa de tá tocando em lugares enormes. (…) A gente sempre construiu a coisa tijolinho por tijolinho, sabe? Sem muita pressa, sem muita pretensão de ser… A banda é isso e a gente tem que respeitar o que foi construído.” Teago Oliveira

Na tarde do dia 08 de julho, Maglore recebeu a imprensa para uma coletiva exclusiva na Hey Joe, com direito a café e biscoitinhos! – Não preciso nem dizer que amei essa parte! Rs. Após a coletiva, alguns fãs também conversaram com os integrantes da banda que, a todo o momento, esbanjaram simpatia.

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Sim! Esse foi o primeiro ponto que me chamou atenção nos rapazes da Maglore: a simpatia! Ao longo da coletiva, ficou bem claro que a banda soteropolitana alcançou um expressivo sucesso, difícil até de ser mensurado por quem acompanhou o início da carreira e estava acostumado a ouvi-los no Viela. Hoje, residente na capital paulista, Maglore lota as casas de shows Brasil afora, é uma forte referência no cenário musical brasileiro atual, foi indicada a vários prêmios, e mesmo assim Teago, Rodrigo e Felipe não deixam o ego tomar conta de suas vidas.

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Felipe Dieder – Bateria e Voz

“Eu acho todo esse mundo de premiação meio mundo de plástico. (…) É bacana o reconhecimento, assim, mas afetar a banda acho que não… (…)” Felipe Dieder

“A gente é uma banda que veio da Bahia, mora em São Paulo, que passou durante muito tempo dificuldades que qualquer banda independente tem, enfim… A gente conseguiu aos 45 do segundo tempo! A banda quase acabou, mudou formação, entrou uma gravadora, entrou uma produtora. As pessoas começaram, em São Paulo, a conhecer mais a banda. (…) Quando a gente é indicado a um prêmio a gente fica muito feliz sim! (…) A gente gosta bastante dessa coisa da indicação do prêmio, mas no dia em que a gente tiver fazendo música pra concorrer a alguma coisa, é melhor acabar a banda e fechar o negócio que eu acho que não vai ser legal.” Teago Oliveira

Um dos principais assuntos da Coletiva foi a repercussão do mais novo álbum de Maglore, III, apontado como o trabalho mais maduro da banda e considerado um dos melhores álbuns de 2015 por Rolling Stone, Billboard, MTV, dentre outros importantes veículos.

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Teago Oliveira – Voz e Guitarra

“É óbvio que o som da banda, as músicas, em cada disco, vão ficando mais maduros, o que não impede do público gostar mais ou não independente disso. A imprensa tem essa coisa de caracterizar um álbum pela maturidade que ele traz, pela inovação estética… Só que a relação que o público tem é outra e a gente respeita isso muito bem.” Teago Oliveira

A respeito da mudança das composições do primeiro CD até o atual, Teago declarou que o terceiro disco foi o único em que ele conseguiu alcançar o que queria, desde sempre, que era dividir as composições da banda com o Rodrigo. Assim, não há como ser diferente das letras mais ingênuas e intimistas de “Voraz” e do ativismo de “Vamos Pra Rua”.

Recentemente, Maglore realizou o feito de cantar no palco principal do Lollapalloza 2016 – abrindo o show de Muse, diga-se de passagem – e é claro que esse seria um tópico certo da coletiva.

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Rodrigo Damati – Voz e Baixo

“Pra mim, tocar no estádio foi um filme mesmo, algo que eu vou guardar, eu já me sinto realizado, não preciso fazer mais nada! Foi um show de duração menor, uma abertura de um show internacional, mas eu me sinto realizado, é uma coisa que até hoje às vezes eu deito e falo assim: – Poxa, tem um processo acontecendo. (…) É simbólico, você pega e conquista e guarda pra você e isso te alimenta também.“ Rodrigo Damati

Sair de Salvador para São Paulo, sem dúvidas, mudou muita coisa na vida do trio, pois o interior da Bahia, infelizmente, não é uma rota rentável, principalmente no que tange ao rock alternativo e à MPB.

Sobre o retorno a Vitória da Conquista, depois de 2 anos, a banda se mostrou muito entusiasmada e tranquila. Felipe lembrou, ainda, que no último show de Maglore aqui, eles cantaram pela primeira vez “Ai Ai”, que entrou no CD III.

“Conquista sempre tem alguma coisa que marca!” Teago Oliveira

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Maglore e Prit – a mais nova integrante da banda #sqn

Uma das minhas maiores surpresas foi descobrir que eles não queriam colocar “Dança Diferente” no novo álbum, pois achavam que fugiria muito ao estilo da banda. Essa é uma das minhas músicas preferidas – eu acordo ouvindo o trio assoviando, meu povo!!! Rs – e também caiu nas graças do público, para a total espanto da Maglore.

“Essa coisa da música de trabalho é uma coisa que na minha cabeça vem de uma piração de mercado dos anos 90 ou não sei de época… A gente nunca consegue acertar. Nunca! Toda vez que a gente pensa que é a música de trabalho acaba não sendo. (…) A gente não consegue ter essa coisa do tino comercial pra vender a nossa música. A gente só faz a música!” Teago Oliveira

“Sucesso de verdade é fazer um disco do jeito que a gente quer fazer e subir no palco, sentir que a gente toca o que a gente quer tocar… E as pessoas se identificam com isso de alguma forma. Isso é que é sucesso.” Felipe Dieder

18 Comentários para "Uma Dose de Música: Devaneios Sonoros #2 [+ Entrevista com Maglore]"

  1. Conquista tem mtos shows legais. Já fui em alguns, mas até hj nunca fui no festival de inverno, esse ano acho que ainda não vou, mas quero ano que vem. Muito legal a cobertura de vc

    • Tem sim muita coisa bacana aqui quando o assunto é música! O Festival de Inverno desse ano vai ser muito bom, que pena que você não irá, Joana! Ano passado fizemos a cobertura do FIB, tomara que esse ano consigamos novamente! Mas tente ir no ano que vem mesmo, você irá gostar! Obrigada.! 😉

  2. Que chiqueza coletiva de imprensa!! Eu ainda não conhecia a banda, mas ouvirei alguma coisa deles, já conhecendo um pouquinho da personalidade deles. Adorei o post, beijos!!

    ourbravenewblog.weebly.com

    • Hehehehehe. Amo fazer cobertura de eventos, principalmente quando é de uma banda ou artista que gosto muito, como foi o caso de Maglore. Ouça mesmo e depois me diga o que achou! Obrigada! Beijos.

    • Que legal, Nessa!!!
      Seu blog é maravilhoso também!!! Percebo que você coloca muito amor em suas postagens, assim como nós aqui.
      Obrigada!
      Um xêro.

  3. Que legal! Sempre quis conversar com o pessoal de uma banda… Vem uma banda para cá… Eu fico só tirando fotinha hauhahauahau. Curti muito seu post, você é fã mesmo ein hahahah

    • Izaaa, é muito legal fazer uma coletiva de imprensa! XD
      Sou bem fã mesmo, mas a banda é muito boa!!!
      Obrigada.
      Beijoss

  4. Não conheço a banda ainda, vou ouvir algumas músicas dela com certeza 🙂
    Beijos,
    meumundomeusbooks.blogspot.com

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