Resenha: O histórico infame de Frankie Landau-Banks, de E. Lockhart

Editora Seguinte

Gênero: Ficção/Jovem Adulto

Todo mundo sabe que eu sou apaixonada por livros. Que eles tipo, são a coisa mais importante na Terra para mim (depois dos seres humanos, é claro. Não de todos os seres humanos, é claro também, risos, livros são mais legais que muita gente por aí). O que muitas pessoas não sabem é que são autores como Emily Jenkins, a.k.a. E. Lockhart, que me fazem amar cada dia mais esse universo incrível onde as palavras são minha casa e também meu alimento.

Eu conheci a E. Lockhart através do livro Mentirosos (clique aqui para ler a resenha), e fiquei enlouquecida querendo ler tudo mais que ela já houvesse publicado porque a escrita dela é simplesmente fantástica, seus enredos são tão incríveis quanto e é tudo tão bem elaborado que te faz se apaixonar mesmo. Estou oficialmente apaixonada pela escrita da Emily e ela já conquistou um grande espaço no meu coração. Preciso ressaltar também que essa autora é amiga de ninguém mais ninguém menos que John Green, e eu tô tipo GENTE, TAMBÉM QUERO SER AMIGA DE VOCÊS, POR FAVOR, TE AMO, TE AMOS. Que pessoas mais lindas, faz todo sentido que eles sejam amigos mesmo.

Certo, agora partindo para o que realmente interessa nesse post, que é o livro “O histórico infame de Frankie Landau-Banks”, preciso começar essa resenha com uma citação muito relevante do livro:

 

“É melhor ficar sozinha, ela pensa, do que ficar com alguém que não te enxerga como você é. É melhor liderar do que seguir. É melhor falar do que ficar em silêncio. É melhor abrir portas do que fechá-las na cara das pessoas.”

 

O livro conta a história de Frankie, uma jovem da elite estadunidense, que estuda num colégio interno muitíssimo famoso e conceituado, filha de pais divorciados, irmã mais nova de uma garota cheia de iniciativa, e considerada por todos do seu ciclo mais próximo como uma “princesinha”. O problema é que ela odeia esse rótulo. E o outro problema é que ela não tem ideia de como se livrar dele até começar o seu 2º ano do ensino médio na escola.

Frankie mudou muito dos 14 para os 15 anos, naquelas férias ela literalmente se transformou de menina a mulher. Cresceram os seios, o cabelo e a pele ficaram mais bonitos, mudou o porte, a postura e até as roupas (porque as antigas já não estavam mais cabendo nela), e essa mudança exterior de alguma forma colaborou também para uma mudança interior. Junto com o que ela ganhou de “atributo” exterior, nasceu na garota uma expectativa de autoconfiança que só se desenvolve com o tempo.

Quando Frankie retorna ao colégio interno, nós começamos a ter uma perspectiva da rotina dela e também da crise interior que ela enfrenta entre quem ela realmente é e quem aparenta ser, além do conflito que existe dentro da garota entre o que ela quer pra si e o que realmente importa.

Logo no começo das aulas, Frankie sofre um pequeno acidente que faz com que ela seja notada pelo garoto pelo qual ela alimentava uma paixonite desde o ano anterior, mesmo quando ela tinha um namorado. Esse garoto se chama Matthew, e, aos olhos de Frankie, é a pessoa mais incrível que existe no colégio, ele é perfeito em cada um dos aspectos da sua existência e o fato de ele dar a ela o mínimo de importância faz com que ela se sinta absolutamente especial. OK, até então nada diferente dos livros de romance que estamos acostumados a ler. Mas Frankie não é mais uma na multidão e, apesar de haverem livros clichês muito bons mesmo, Frankie existe para transgredir o óbvio e é uma delícia acompanhar a jornada dela enquanto se descobre como capaz de fazer isso.

 

“Matthew tinha dito que ela era inofensiva. Inofensiva. E estar com ele fazia Frankie se sentir como se estivesse esmagada dentro de uma caixa – uma caixa onde ela deveria ser encantadora e sensível (mas não sensível demais); uma caixa para as garotas jovens e bonitas que não eram tão brilhantes ou poderosas quanto seus namorados. Uma caixa para pessoas cuja força não merecia ser levada em conta. Frankie queria ser uma força.”

 

Muitos fatores levam Frankie a se incomodar com o universo no qual está inserida e com o papel que ela sente que foi designado a ela. Ela sabe que é uma garota privilegiada, vivendo uma vida privilegiada, mas ela quer ser mais que uma garota inteligente e bonita, ela quer mostrar sua importância, principalmente frente ao machismo velado existente na sociedade que ela e todos nós habitamos.

Frankie começa a perceber e literalmente dissecar as regras implícitas do convívio social e com uma abordagem densa sobre o panóptico (ideia difundida através da obra Vigiar e Punir, de Foucalt), dentre outras questões, ela decide que quer ser mais do que lhe disseram que ela pode ser, ela não quer ser uma princesinha, ser a pessoa por trás de alguém, ela quer mostrar que é capaz de mais que isso e que a sociedade de controle não tem controle algum sobre ela.

Preciso dizer pra vocês, Frankie é bem louca, e concordo quando ela mesma reconhece e algumas pessoas dizem que ela é meio obsessiva, mas eu sei bem como é ter uma mente eternamente em ebulição e acho fantástica a maneira como a personagem se desenvolve, mostrando seu potencial, independente dos erros. Afinal, os erros e obstáculos, se aproveitados da maneira certa podem se tornar degraus, e principalmente nos mostram verdadeiramente quem somos e quem queremos ser.

Gosto da ambientação do livro também, de toda essa história de sociedade secreta e grupos exclusivos nada inclusivos. Acho legal a maneira como Frankie se atrai pela popularidade, pela leveza e diversão de Matthew e seus amigos, até perceber como aquilo é tão fácil e natural para eles enquanto é tão difícil e injusto para ela. É interessante também ver como ela quer lutar contra isso, mas ao mesmo tempo manter tudo absolutamente igual. Qualquer pessoa que tenha passado pelo ensino médio, mesmo que não tenha sido num colégio interno extremamente caro e exclusivo dos Estados Unidos, tem uma noção de como parece que o rascunho da vida começa a se desenvolver nessa época e de como os grupos e “panelas” ali formados parecem que vão definir toda sua história se você não tomar algum controle sobre a sua existência. Sempre gosto de ler sobre isso e tive um inferno médio ao invés de ensino médio, então gosto muito de analisar essas questões.

Há alguns personagens muito interessantes, que acabei por não conhecer tão bem como gostaria, como a amiga e colega de quarto de Frankie, Trish, e também o Alfa, melhor amigo de Matthew e crush de Frankie, que é um mistério tão misterioso que não posso falar mais nada sem dar spoilers. Mas, posso dizer: como gostaria de interrogar o Alfa pra tirar umas 2948 dúvidas que ficaram na minha cabeça sobre ele ao longo do livro.

Acho que, dentre muitas mensagens que a E. Lockhart quis passar através desse livro, ela brilhantemente fala sobre feminismo para jovens de uma maneira concreta e pautada numa ideologia de igualdade que eu adiro, com coerência e sem radicalismos.

 

“Ela não será simples e doce. Ela não será o que as pessoas dizem que ela deve ser. Aquela princesinha está morta.”

 

Ela fala também, principalmente, sobre autoconhecimento, não permitir que as pessoas te subestimem, e faz uma reflexão muito interessante sobre a constante vigilância que existe na nossa sociedade e que nos limita de tantas maneiras que nem podemos nos dar conta do quanto se não pararmos para realmente analisar.

Achei brilhante em muitos aspectos, mas, confesso que queria MAIS, queria maiores explicações, queria um vislumbre maior do futuro, entretanto, reconheço a característica da narrativa da autora em não falar nada além do absolutamente necessário – “Mentirosos” que o diga! Então vou viver e lidar com minha frustração por não saber mais sobre tudo que gostaria de saber enquanto aguardo ansiosamente novas publicações dessa autora maravilhosa que escreve tão brilhantemente histórias tão fantásticas – OMG, são muitos elogios, mas garanto que ela merece todos!

Espero que tenham gostado da resenha e se interessado pelo livro. Garanto que a leitura é proveitosa, apesar de a minha obra preferida dessa autora continuar sendo Mentirosos, acho que ela não decepciona em nada, até porque “O incrível histórico…” foi escrito antes de Mentirosos, o que só quer dizer que ela tem evoluído bastante.

 

Nota no Skoob: 4.1/5

Nota no Orelha de Livro: 4/5

MINHA Nota: 9/10

 

Algumas das minhas quotes favoritas: 

 

 

 

 

 

Obs.: Outras capas do mesmo livro, em inglês. Eu adorei especialmente essa que é um envelope com um selo vermelho de bassê, quando vocês lerem o livro, entenderão o motivo! 🙂

   Fica a dica! 😉
Resumo oficial:

Aos catorze anos, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, um pouco nerd, que frequentava a Alabaster, uma escola tradicional e altamente competitiva. Mas tudo muda durante as férias. Na volta às aulas para o segundo ano, o corpo de Frankie havia se desenvolvido, e ela havia adquirido muito mais atitude. Logo ela chama a atenção de Matthew Livingston, o cara mais popular do colégio, que se torna seu novo namorado e a apresenta ao seu círculo de amigos do último ano. Então Frankie descobre que Matthew faz parte de uma lendária sociedade secreta – a Leal Ordem dos Bassês -, que organiza traquinagens pela escola e não permite que garotas se juntem ao grupo. Mas Frankie não aceitará um “não” como resposta. Esperta, inteligente e calculista, ela dará um jeito de manipular a Leal Ordem e levantará questionamentos sobre gênero e poder, indivíduos e instituições. E ainda tentará descobrir se é possível se apaixonar sem perder a si mesma.
“Brilhante!” — John Green
“Totalmente incrível.” — Scott Westerfeld
“Um dos meus livros favoritos do ano. Se você ainda não leu, leia agora.” — Libba Bray

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