Resenha literária: TUDO E TODAS AS COISAS, Nicola Yoon

Editora Novo Conceito

Ficção/Young Adult

“Tudo é um risco. Não fazer nada é um risco. A decisão é sua.”

Tudo e todas as coisas é um dos livros do gênero Jovem Adulto mais falados do momento, especialmente por conta do lançamento da sua adaptação cinematográfica que estreou recentemente, então, já não era sem tempo para falarmos dele por aqui, não é?

“Oceano: a parte infinita de si mesmo que nunca conheceu, mas sempre suspeitou de que estava ali.”

Para começar, eu já vou deixar claro que gostei bastante do livro. Confesso que a sinopse não me atraiu tanto e que o que realmente me motivou a lê-lo foi o lançamento do primeiro trailer do filme, fato pelo qual agradeço bastante, pois se tratou de uma leitura muito prazerosa.

O livro conta a história de Madeline, uma jovem de 18 anos que desde o seu nascimento convive com uma doença chamada Imunodeficiência Combinada Grave (IDCG), que causa nela uma alergia inexplicável a tudo; qualquer coisa, absolutamente qualquer uma, pode ser um gatilho para a doença podendo levá-la, inclusive, à morte.

“Devo ser cuidadosa porque, se eu me tornar parte deste mundo, ele também fará parte de mim?”

Enquanto lia as primeiras páginas e compreendia um pouco do universo de Maddy, eu tentei não me sentir tão mal por ela, mas foi inevitável. Eu não conhecia quase nada sobre essa doença, mas pelo pouco que conheci através do livro, vi como é difícil e dolorosa tanto emocionalmente quanto fisicamente, em casos de crise. De todo modo, Maddy, alérgica ao mundo, vive relativamente bem, tendo em vista que sua mãe construiu para ela uma fortaleza, onde ela está literalmente resguardada e protegida de qualquer mal.

“Podemos ter a imortalidade ou a lembrança do toque. Mas não podemos ter as duas coisas.”

A casa de Maddy é totalmente adaptada às suas condições, o que provavelmente custou uma fortuna, mas cujo financiamento vem de uma indenização, algo que é explicado no livro. Na casa, moram apenas Maddy e a mãe, que é médica, e durante o dia, a garota é cuidada por Carla, sua enfermeira desde os 3 anos de idade. Carla, a divertida e querida enfermeira, e a mãe são tudo pra Maddy, que tenta levar uma vida o mais normal possível, tendo em vista que definitivamente não é uma vida normal. Ela estuda em casa, navega na internet, tenta se divertir da maneira que pode e especialmente vive no mundo dos livros. Além disso, Maddy tem uma relação muito forte com a mãe, ela é muito grata por tudo que a mãe fez por ela, por todas as renúncias e sacrifícios e por fazê-la se sentir segura, algo que realmente dá muito trabalho e te faz pensar sobre a dimensão do amor e força daquela mãe.

“Talvez crescer signifique desapontar as pessoas que você ama.”

Algo que gostei muito na leitura de Tudo e todas as coisas é a maneira como o livro é dinâmico, quase interativo. A narrativa é intercalada por conversas de bate-papo, mas também por anotações aleatórias de Maddy, e-mails, desenhos, notas do dicionário que ela criou para as palavras e até por suas resenhas de livros (com spoilers, é bom observar, rs). A leitura é absolutamente fluida, não consigo imaginar ler esse livro inteiro se não for de uma só vez.

 “Você é todas as coisas boas embrulhadas em outra coisa boa.”

A vida de Maddy muda completamente quando uma nova família se muda para a casa ao lado e ela passa a observá-los, o que causa preocupação tanto para Carla quanto para a mãe de Maddy, que dão a entender que da última vez que algo do tipo aconteceu, foi péssimo para a garota. Também pudera, né, gente? Ficar ali da janela observando todo mundo fazer tudo que você não pode não tem como ser algo bom. Mas não adianta, porque Maddy os observa mesmo assim e logo estabelece contato com Olly, o garoto de olhos profundamente azuis que intriga Maddy desde o princípio.

“A diferença entre saber e ver pessoalmente é a diferença entre sonhar que se está voando e voar de verdade.”

Olly por si só também tem um plot só dele, por sinal, interessantíssimo e muito relevante. Não vou me adentrar na história, porque realmente quero que você leia e o livro e tenha a oportunidade de ser conduzido pelos rumos da narrativa como eu, entretanto, eu deixo aqui a observação de que eu amei o desenvolvimento da relação de Maddy e Olly. Achei os diálogos deles tão naturalmente coerentes, que fiquei realmente envolvida pela situação.

“Eu era feliz antes de conhecê-lo. Mas agora estou viva. São coisas diferentes.”

“A matemática do Olly diz que a gente não pode prever o futuro. Acabei descobrindo que também não podemos predizer o passado. O tempo passa em ambas as direções – para frente e para trás – e o que acontece aqui e agora muda o que passou e o que ainda virá.”

 

Por outro lado, houve algumas coisas que me deixaram bem “hããã?” em relação também à Maddy e Olly. Tem uma hora que tudo passa a acontecer tão rápido e de maneira tão surreal para mim que eu tive que parar pra processar um pouco, mas, assim, apesar de não fazer sentido para a realidade, em minha opinião, fez sentido no livro, então foi ok.

 “Estou inteira. Estou em pedaços.”

Tudo e todas as coisas é um livro gostosíssimo de ler, cheio de metáforas e escrito com muita delicadeza e inteligência, gastei muitos post-it com ele. A Maddy é uma personagem muito querida e a perspectiva que ela tem das coisas e da vida é certamente algo notável. Eu confesso que torci pelo desfecho do livro nos rumos do que aconteceu desde o começo, mas isso não fez com que eu sofresse menos. Nem tudo é sempre feliz, sempre bom ou sempre certo o tempo inteiro, né? Então, esse livro é sobre esse limiar de bondade, maldade, sanidade, loucura, saúde e doença. É sobre relacionamentos profundos e a beleza das coisas simples que subjugamos todos os dias por já serem nossas.

  “A vida é um dom. Não esqueça de vivê-la.”

Eu espero muito que vocês tenham se interessado, porque eu gostei bastante! Estou louca para ver o filme agora. Na adaptação, quem interpreta a Maddy é a talentosa e bela Amandla Stenberg, que fez a Rue na saga Jogos Vorazes e a jovem Cataleya num dos filmes preferidos do meu pai, Colombiana, enquanto Olly é interpretado por Nick Robinson, um ator que já se tornou muito querido pra mim por três dos seus mais recentes trabalhos, dentre eles, A 5ª Onda, em que faz o Ben Parish. Clique abaixo para assistir ao trailer:

 

Desejo que vocês leiam o livro e espero que se encantem, se apaixonem e sejam tão tocados quanto eu! É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

“Aloha significa olá e adeus”

Beijos e até mais! 😉

 

Nota no Skoob: 4,4/5 

Nota no GoodReads: 4,1/5 

MINHA Nota: 4,5/5

 

Resumo oficial:

“Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre.”

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