Resenha literária: TRÊS COISAS SOBRE VOCÊ, Julie Buxbaum

Editora Arqueiro

Ficção/Young Adult

 

“Nós somos muito diferentes, mas juntos ficamos mais fortes. Inteiros.”

Eu costumo dizer que um livro bom não necessariamente aquele livro cujo autor tem a melhor escrita ou técnica narrativa, ou que a história tem o melhor desenvolvimento. Livro bom é aquele que te faz sentir bem, que te envolve e te dá aquela sensação gostosa de ter lido algo que agregou coisas positivas, te fez refletir, te moveu, te emocionou ou, simplesmente, te entreteve e te fez relaxar quando você estava precisando. Esse é justamente o caso desse livrinho sobre o qual vou falar hoje.

“Penso que é estranho ser chamada de feia e linda, duas palavras que ouço raramente, no mesmo dia […] porque a maioria das pessoas não é tão má nem tão sincera.”

Três coisas sobre você é um livro adorável. Se você tem qualquer tipo de preconceito literário e evita comédias românticas adolescentes, te aviso que essa pode ser a sua chance de repensar, pois deixar de ler esse livro é, definitivamente, uma perda.

“Na vida real, depois do fato consumado, eu quase sempre repasso as conversas na cabeça, corrijo as falas até aperfeiçoar o meu deboche espirituoso, despreocupado, sem tempo, claro, porque a essa altura já é tarde demais. Na organização de conjuntos da minha vida, a minha personalidade imaginada e a minha personalidade real jamais convergiriam. Mas nos e-mails e mensagens tenho aqueles instantes a mais de que preciso para ser a versão melhor, corrigida de mim mesma.”

Nunca havia lido nada da Julie Buxbaum, mas gostei demais da escrita dela: leve, engraçada, irônica, pontuada com reflexões pertinentes num texto muitíssimo coerente. Estou encantada. Estava precisando de um livro exatamente assim quando o peguei em minha estante e fui surpreendida positivamente pela qualidade do enredo.

Jessie é uma adolescente que ficou órfã de mãe e teve sua vida virada de cabeça pra baixo depois que seu pai se apaixonou e se casou por uma mulher importantíssima na indústria do cinema e resolveu se mudar com ela para Los Angeles, claro, levando Jessie junto. De repente, a garota que já tinha visto seu mundo desabar depois da morte da mãe, teve que se adaptar a uma nova casa, uma nova família, uma nova escola e à ausência sempre presente do pai, que agora preocupado com sua nova vida, passa a ter pouco (ou nenhum) tempo para a filha.

“Eu gostaria que as conversas viessem com sinais de trânsito: um sinal claro de quando você precisa parar, seguir ou avançar com cautela.”

Nesse período de transição, Jessie recebe um e-mail anônimo de alguém na escola que se identifica como Alguém/Ninguém e que diz a ela para nem tentar descobrir quem ele é, pois ele não pretende se revelar. Jessie não sabe se se trata se um garoto ou uma garota, se é um colega ou um inimigo, ou o que é, de fato, mas na falta de ter com quem conversar, ela acaba dando uma chance àquela amizade virtual, que acaba se tornando importantíssima para ela. Por causa de Alguém/Ninguém, Jessie passa a enfrentar os dias com um pouco mais de ânimo agora que tem com quem desabafar, conversar e desanuviar ao alcance do bate-papo no celular, e também, por recomendação do amigo virtual, se aproxima de uma garota que se torna uma grande amiga na nova escola.

“Parece que as lágrimas só surgem quando são menos desejadas, quase nunca nas silenciosas profundezas da noite, quando o vazio é tão real que parece um fantasma. Quando as lágrimas se pareceriam um pouco com alívio.”

Jessie sente completamente a diferença da sua antiga escola para a nova, pois na nova escola, paga por sua madrasta, só estudam jovens ricos da Califórnia, que estão bem mais adiantados que ela academicamente, então o baque não é apenas social. Entretanto, ela corre atrás para dar conta do recado enquanto tenta se ajustar à nova vida, que não é fácil, mas ela vai conseguindo aos poucos.

“Uma vez a minha mãe me disse que o mundo é dividido em dois tipos de pessoa: as que adoram os anos do ensino médio e as que passam a década seguinte se recuperando deles. O que não mata fortalece.”

“Sabe, dizem que a felicidade no ensino médio é indiretamente proporcional ao sucesso que você terá na vida.”

À parte tudo isso, tem o interesse que o intrigante colega Ethan desperta em Jessie, a implicância das colegas, a amizade à distância com Scar e o relacionamento de amor e ódio com seu novo meio irmão, Theo, que temperam bastante a história.

O livro é narrado em primeira pessoa e intercalado com diálogos de Jessie com seus amigos, mas, principalmente, com Alguém/Ninguém, o que traz uma dinâmica gostosa à leitura.

“A experiência é mais importante do que as coisas materiais.”

Esse é um livro sobre perda, autoconhecimento, empatia, amadurecimento e amor. É totalmente devorável, do tipo para ler rapidinho e ficar com aquela sensação gostosa de brisa no verão depois. Apesar de ser um livro adolescente, a narrativa aborda questões profundas, tratando-as com leveza, mas com a delicadeza e relevância necessária. Eu realmente gostei bastante desse livro e quero muito ler outros livros escritos pela Julie Buxbaum.

Desejo que vocês leiam o livro e espero que se encantem, se apaixonem e sejam tão tocados quanto eu! É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

Beijos e até mais! 😉

Nota no Skoob: 4,4/5 

Nota no GoodReads: 4,1/5

MINHA Nota: 4,6/5

[espaço]

Resumo oficial:

“Setecentos e trinta e três dias depois da morte da minha mãe, 45 dias após o meu pai fugir para se encontrar com uma estranha que ele conheceu pela internet, 30 dias depois de a gente se mudar para a Califórnia e apenas sete dias após começar o primeiro ano do ensino médio numa escola nova onde conheço aproximadamente ninguém, chega um e-mail. Deveria ser no mínimo esquisito, uma mensagem anônima aparecer do nada na minha caixa de entrada, assinada com o bizarro nome Alguém Ninguém. Só que nos últimos tempos a minha vida tem estado tão irreconhecível que nada mais parece chocante…”.

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