Resenha literária: A SEREIA, Kiera Cass

Editora Seguinte

Ficção/Fantasia/Romance

 

Olá, leitores! Precisamos falar sobre “A sereia”. Sim, o objeto da resenha de hoje é o mais recente lançamento de Kiera Cass, contrapondo-se ao fato de, na verdade, ter sido ele o seu primeiro lançamento, pois, foi o primeiro livro dela – à época, autopublicado – e agora foi republicado.

A sereia 1

               Então, quem me conhece ou já vagou um pouco pelo blog, sabe que eu sou total e absolutamente fã da Kiera Cass. Para mim, ela tem uma habilidade incrível de reter a atenção do leitor e inseri-lo nos universos criados por ela. A saga “A seleção” é uma das minhas preferidas; eu realmente amo e tenho um carinho especial pelo trabalho de Kiera, e também sou fã da pessoa que ela demonstra ser através das redes sociais e entrevistas. Ainda que seus livros não necessariamente sejam dirigidos ao público adulto, eu consigo trafegar por sua literatura retendo tudo que há de bom nela e feliz por ler livros que me fazem sentir bem, imaginativa e presa a uma boa história.

               Tendo dito isso, vamos lá falar especificamente sobre “A sereia”. Eu tinha muita expectativa para esse livro, não vou mentir pra vocês. Entretanto, num primeiro momento, sofri um baque. Tive muita dificuldade de me ligar à história, de me conectar com os personagens, de ser convencida pela fantasia abordada por Kiera. Olha, não foi fácil.

               “A sereia” conta a história da jovem Kahlen, que aos 19 anos estava num navio que naufragou, testemunhou a morte de toda sua família e foi resgatada pela Água. Por ter clamado por socorro e uma chance de continuar viva em meio ao desespero, a Água atendeu ao pedido de Kahlen e a transformou em sereia. Kiera reconta a mitologia das sereias de uma forma mais fidedigna à mitologia ‘real’ e nada parecido com Ariel (a pequena sereia). Ariel, tadinha, acho que morreria só de ouvir a história de Kahlen. Ok. Sendo assim, Kahlen passa a ser uma serva da Água, e tem o dever de trabalhar para ela, alimentando-a por 100 anos, e, então, após esse tempo, ganhará a chance de ter uma nova vida mortal.

               Mas, o que seria “alimentar a água”? Nada mais, nada menos do que cantar para tragédias, como naufrágios, acontecerem e as pessoas – tanto homens, quanto mulheres, sendo que homens são, inegavelmente, mais afetados – entorpecidas pelo som da voz das sereias, se jogarem ao mar e morrerem afogados. É isso. Segundo a história, a Água precisa dessas vidas para continuar existindo e fornecendo vida aos outros mortais que dela dependem. Ai, foi um negócio até eu processar isso aí, minha gente.

A sereia 2

               Kahlen foi uma jovem que viveu nos anos 1930, pura e romântica incurável, portanto, sonha com um grande amor, é obediente e vive triste pelo fato de ter que, literalmente, assassinar pessoas para continuar viva e, segundo a Água, manter a humanidade existindo. Eu já achei que essa capa desse livro tava colorida demais pra um negócio tão dark assim. Sério. Mas, assim, claro que Kiera iria balancear essa coisa toda com uma linda história de integridade e amor incondicional, e é isso que nós temos em “A sereia”.

A sereia 3

               Nossa protagonista vive com duas de suas irmãs sereias, enquanto outra, por motivos de foro íntimo, vive reclusa, e as irmãs de Kahlen pra mim são um ponto alto do livro. Miaka e Elizabeth temperam a história, e gostei especialmente de Miaka. Achei legal que Kiera em tão poucas páginas conseguiu nos contar bem a história de todos os personagens, o que, no meio do livro, mais ou menos, enfim, me fez começar a sentir uma conexão com eles, longe da coisa toda de Água Malvada-Altruísta-Paradoxal.

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               Kahlen conhece o amor através de Akilin – gente, os nomes dos personagens desse livro são uma coisa à parte. Eu não pesquisei, mas deve ter realmente uma ótima explicação pra tanto exoticismo. Akilin é o tipo de gente que deveria existir mais no mundo real: tranquilo, bondoso – sem ser bobo, simpático – sem ser idiota, e tão, mas tão compreensivo, que acho que o gênero fantasia foi definido não por causa do lance das sereias, mas por causa dele mesmo. Resumindo, amo Akilin de todo coração. Por um mundo com mais Akilins!

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               O livro é fluido, mas, como deixei claro, para mim, o começo ficou empacado, porque eu não conseguia encontrar coerência e nem sentir empatia pelos personagens. Demorei a me conectar a história, e nem sei se realmente me conectei totalmente, porém, gostei. Gostei do livro porque Kiera realmente sabe escrever muito bem, e amo a perspectiva que ela tem de mundo, sempre focando no lado bom das coisas e das pessoas, mesmo quando tudo parece ruim. Incomoda todo o peso da “justiça” no livro. A justiça da Água e pela Água, a justiça exercida pelos personagens… Bem, pessoalmente, acho os conceitos todos um pouco distorcidos, mas, GENTE, BEM, vamos lembrar que estamos falando de fantasia, e é isso aí.

               Recomendo a leitura do livro para quem curte Kiera incondicionalmente, pra quem gosta de histórias de fantasia e pra quem quer um livro bacana para ler rápido sem grandes pretensões. Fica a dica! 😉

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Nota no Skoob: 3,9/5

Nota no Orelha de Livro: Não possui nota ainda.

MINHA Nota: 8/10

 

Beijos e até mais!

 

Resumo oficial:

Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar pois a voz da sereia é fatal , logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.

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