Resenha literária: O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA NOSSA VIDA, Kate Eberlen

Editora Arqueiro

Ficção/Romance

“Se você fizer algo com o coração feliz, isso lhe trará felicidade”.

Se você leu e amou livros como Um dia, Simplesmente acontece (Onde terminam os arco-íris) e até Novembro 9 (que, para mim, apesar de seguir a mesma premissa dos dois primeiros, é bem inferior em qualidade), então é bem provável que você vá gostar de O primeiro dia do resto da nossa vida. Eu, particularmente, gostei bastante!

“Não é estranho pensar que milhares de casais vão se encontrar pela primeira vez esta noite? E alguns deles vão durar duas semanas e outros ainda vão estar juntos daqui a vinte anos, mas nenhum deles sabe disso ainda…”.

Eu gosto muito de livros que transbordam realidade e vida em cotidiano. Eu não ligo para o fato de, geralmente, esses livros serem aqueles com muitas páginas, eu não ligo para muitas páginas, desde que eu não as sinta, e é assim que bons livros nos fazem sentir, eles nos fazem esquecer de que estamos virando páginas e nos remetem diretamente à história contada.

O primeiro dia do resto da nossa vida é um livro muito bom. Se for para comparar com Um dia e Simplesmente acontece, que são livros que seguem a mesma premissa dele, eu não o colocaria em posição de destaque, porque Um dia é muito especial pra mim e Simplesmente acontece é um dos meus livros preferidos de toda a vida, porém, ainda assim, trata-se de um livro muito bom, com uma história muito bem contada através de uma escrita muito fluida e bem instigante.

“É só que, às vezes, quando estou olhando para o céu limpo da noite, o universo parece tão vasto e aleatório que é estranho pensar em como nossos pequenos momentos na Terra podem conter tanto significado.”

O livro conta a história de Tess e Gus, tudo começa quanto ambos têm 18 anos e estão separadamente fazendo uma viagem pela Itália após a formatura do ensino médio. Tess está viajando cidade a cidade acampando com a melhor amiga, enquanto Gus está viajando com os pais, todos tentando dar o primeiro passo em direção à recuperação do luto após a morte do irmão mais velho de Gus, o Ross.

Os caminhos de Tess e Gus se esbarram muito sutilmente, e eles prosseguem com suas vidas. Tess está muito feliz e determinada, pois vai voltar à sua cidade na Inglaterra apenas por tempo suficiente para ajeitar as coisas antes de começar a cursar Literatura Inglesa na UCL, seu grande sonho, enquanto Gus vai fazer medicina, coincidentemente também na UCL, mais por imposição da “vida” do que por qualquer outra coisa.

Entretanto, Tess não chega a ir pra UCL, porque quando ela volta pra casa, acontece uma grande reviravolta e ela passa a ter que se responsabilizar por sua irmãzinha mais nova, que depende dela pra tudo, então Tess coloca sua vida em segundo plano, literalmente. Enquanto isso, Gus dá o primeiro passo em direção à sua liberdade, sem ter muita noção de que a verdadeira liberdade que ele precisa alcançar é de dentro pra fora e não de fora pra dentro.

“Como deveria ser morar em um lugar onde […] ninguém soubesse quem você é, garantindo-lhe a liberdade de descobrir a pessoa que você nasceu pra ser?”.

A história segue os protagonistas por dezesseis anos. A vida de Tess e Gus se entrecruza por diversas vezes sem que, de fato, seus destinos se alterem por causa desses encontros. Essa foi uma das coisas que mais gostei no livro, na verdade, a astúcia da autora em criar essa interseção entre as vidas deles de maneira tão sutil e verossímil.

Esse é um livro transbordante de vida real, ou seja, muita dor, muito amor, muitos sentimentos reprimidos, muita frustração e muita bagagem. Tanto Tess quanto Gus levam, literalmente, a vida inteira enquanto narrada no livro para aprenderem a lidar com o luto e também com a perspectiva de um futuro auspicioso.

O livro é narrado por Tess e Gus em capítulos intercalados e é bem legal seguir as histórias dos dois personagens por duas vidas tão diferentes, mas tão similares em suas marcas. Enquanto eles crescem, eu como leitora tive a sensação de que ia enfrentando cada fase da vida junto com eles, errando e acertando e errando de novo, tentando e tentando me encontrar até se libertarem dos sentimentos que os aprisionavam e se tornarem, enfim, sadios emocionalmente mesmo em meio ao caos.

“Pessoas problemáticas são bem mais divertidas, não acha?”

Trata-se de um livro bacana, é longo, denso, mas a leitura foi bem prazerosa e rápida pra mim. Sem grandes picos de emoção, nem nada do tipo, mas com uma sensação boa do começo ao fim. Essa é uma história recheada de lições sobre contentamento, amor próprio e amor incondicional, é verdadeiramente bela em meio à dor. Além disso, ler esse livro é ter em mãos um roteiro delicioso por Londres e por vários lugares da Itália, fiz várias marcações muitíssimo pertinentes!

Atenção apenas para um aviso sobre o desfecho do livro. Depois de uma história com overdose de realidade, temo que a autora tenha seguido um rumo diferente no final que destoa um pouco do direcionamento do texto. Eu nem reclamo do final em si, porque gostei, mas como leitora, não posso deixar de reparar que não ficou um bom contraste.

“É preciso encontrar dentro de si mesmo o necessário para deixar que as pessoas que você ama sejam independentes de você.”

Desejo que vocês leiam o livro e espero que se encantem, se apaixonem e sejam tão tocados quanto eu! É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

Beijos e até mais! 😉

 

Nota no Skoob: 4/5 

Nota no GoodReads: 3,7/5 

MINHA Nota: 4/5

 

Resumo oficial:

“Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda. E pode ser que nunca se encontrem… Tess sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controle da família e descobrir sozinho o que realmente quer ser. Por um dia, nas férias, os caminhos desses dois jovens de 18 anos se cruzam antes que os dois retornem para casa e vejam que a vida nem sempre acontece como o planejado.

Ao longo dos dezesseis anos seguintes, traçando rumos diferentes, cada um vai descobrir os prazeres da juventude, enfrentar problemas familiares e encarar as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo indica que é impossível que um dia eles se conheçam de verdade… ou será que não?

O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida narra duas trajetórias que se entrelaçam sem de fato se tocarem, fazendo o leitor se divertir, se emocionar e torcer o tempo todo por um encontro que pode nunca acontecer.”.

 

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