Resenha literária: Imperfeitos #1, de Cecelia Ahern

Editora Novo ConceitoFicção/Distopia/Young Adult

  Olá, pessoal! Estamos de volta para um 2017 com muuuuuuitas resenhas de livros! Estão preparados?! Então, vamos lá!

“Sou uma menina de definições, de lógica, de preto no branco. 

Lembre-se disso.”

O livro “Imperfeitos” é a primeira parte de uma duologia. Essa foi a estreia de Cecelia Ahern no universo Young Adult e distópico, e, assim como suas obras anteriores, ele foi muito bem recebido pelas críticas especializadas.

 

“Aquilo que você viu, está visto. Aquilo que você ouviu nunca mais poderá não ter sido ouvido. Eu sei, lá no fundo, que esta noite aprendi algo que não pode ser desaprendido. E esta parte do meu mundo que foi alterada nunca mais será a mesma.”

 

Cecelia Ahern é uma autora incrível, muito talentosa, nem vou gastar muito tempo ressaltando o quanto ela significa pra mim como referência e o quanto amo tudo que ela escreve, então vou direto ao ponto, à crítica sobre “Imperfeitos”.

Para começo de conversa, é importante ressaltar que se trata de um livro de distopia, então, se você já leu Jogos Vorazes, Divergente, A seleção, Legend, Delírio, dentre outros, é inevitável que logo de cara você pense que o enredo é nada mais nada menos que “mais do mesmo”. Sinto lhe desapontar por acabar confirmando que “sim”, realmente, independente do quanto o livro me conquistou e a escrita de Cecelia me cativa, acho que eu já li distopias demais, então fica difícil reconhecer qualquer novidade. Entretanto, isso não desmerece o livro, que tem por si só outras qualidades.

 

“Aprendi que ser corajosa significa sentir medo o tempo todo. A coragem não nos domina, ela luta e enfrenta dificuldades por meio das palavras e atitudes que você toma. É uma batalha ou uma doença que vai se impregnando. É preciso coragem para vencer, mas é preciso muito medo para ser corajoso.”

 

Celestine é uma jovem que vive numa sociedade que repudia a imperfeição. A meta de todos é viver de modo perfeito e irretocável. A questão é que, além da imperfeição não ser vista com bons olhos, ela é criminalizada. Isso sem falar no fato de que as imperfeições não são claramente definidas, ou seja, existe um limiar de discricionariedade no tribunal que julga as imperfeições, que, certamente, ultrapassa limites. As pessoas que são condenadas por suas imperfeições tem partes visíveis do corpo marcadas com um “I” de imperfeito, então, o local da marca varia de acordo com o que o tribunal entender que foi a imperfeição da pessoa. Bem loucão crazy life isso aí. Fiquei chocada.

 

“Humanizam-se objetos, desumanizam-se pessoas.”

 

A protagonista é uma jovem exemplar dentro dessa sociedade, vive dentro de uma família também exemplar e namora o filho do principal juiz do tribunal que julga as imperfeições. Ela não é questionadora no que tange à vida que conhece, entretanto, sua irmã é, e elas não se dão tão bem justamente por terem perspectivas diferentes de mundo. Porém, um dia, Celestine se encontra numa situação em que sente o que sua irmã sempre sentiu e age por impulso para tentar remediar uma injustiça. Sua atitude é considerada como imperfeita e ela passa a ser julgada por isso, dando início à sua saga.

 

“O conhecimento é geralmente uma responsabilidade que ninguém quer.”

 

Eu gostei muito da reflexão que o livro traz acerca da questão das imperfeições e do que, de fato, seria imperfeição ou, simplesmente, humanidade. Porque ser humano, por si só, acarreta uma porção de falhas, somos seres em situação, em construção, então é inevitável que tropecemos. Além disso, o que seriam tropeços? Será que é possível julgar a jornada de cada um em prol de quem deve ser, do que deveriam se tornar? E, é claro, sempre tem aquela dosezinha de corrupção do Governo devido a interesses escusos.

 

“Vemos a Imperfeição como uma força, Celestine. Se você comete um erro, aprende com ele. Se nunca comete nenhum erro, jamais será uma pessoa sábia.”

 

Eu também gostei muito de Celestine, gosto da maneira como a personagem se desenvolveu e uma coisa que amei muito foi a relação dela com os pais, achei a abordagem muito saudável e bonita. Ainda com relação à família de Celestine, algumas coisas me chatearam na história porque achei que faltou um desenvolvimento melhor da irmã dela, Juniper, que é uma personagem crucial e que é apresentada de maneira muito superficial. Algumas coisas que acontecem entre elas não foram convincentes para mim.

 

“Eu resolvo problemas. Leio os sinais, uma evidência, e chego a uma conclusão. Juniper é mais inteligente do que isso. Ela tem uma forma distinta de compreender as coisas. Ela lê as pessoas.”

 

Ah, claro, há também os interesses amorosos. O namorado ‘perfeito’, Art, e o garoto com quem ela não trocou nenhuma palavra, mas com quem tem uma super conexão, Carrick. Não esperem muito romance na história, porque não tem, e, sinceramente, acho que isso a tornou, de muitos modos, mais rica. Porém, é claro, eu ainda espero um desfecho na sequência porque sou uma romântica incurável e é assim que os românticos incuráveis vivem: shippando casais e quebrando a cara.

 

“Às vezes leio uma frase e ela me faz pular, me abala, porque é algo que senti recentemente mas nunca disse em voz alta. Quero entrar na página e dizer aos personagens que os entendo, que eles não estão sozinhos, que eu não estou sozinha, que está tudo bem em se sentir assim.”

 

Eu li o livro muito rapidamente, é uma daquelas leituras para devorar. Espero que tenham gostado da dica, espero que leiam e curtam! Apenas não se esqueçam de relevar a tecla batida da distopia e esperar ansiosamente comigo que Cecelia preencha as várias lacunas que ficaram no enredo desse primeiro livro para que, aí sim, ele seja perfeito! <3

 

“Quando se está no fundo do poço, as vitórias são pequenas. Mas existem, apesar de tudo. Você só tem que saber distingui-las, as porçõezinhas de luz e esperança ocultas na escuridão.”

 

               É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

Beijos e até mais! 😉

 

Nota no Skoob: 4,2/5

Nota no Orelha de Livro: Ainda não tem.

MINHA Nota: 4/5

 

Resumo oficial:

“Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, rechaçados da comunidade, seres não merecedores de compaixão.

Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan.

Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor.

Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita?
Nesta distopia deslumbrante, a autora best-seller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial e quem cometer qualquer ato falho será punido. A história de uma jovem que decide tomar uma posição que poderá custar-lhe tudo.”

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