Resenha Literária: Enquanto o Sol Brilhar, de Juliana Parrini

Editora Independente/Wattpad

Romance/Drama

“O sol mal raiou e eu sinto uma vontade de ser feliz o tempo inteiro.”

Juliana Parrini já marcou presença aqui no blog por mais de uma vez, no entanto, eu, particularmente, nunca havia lido nada dessa autora nacional de sucesso. Assim, quando vi “Enquanto o Sol Brilhar” no Kindle Unlimited não pensei duas vezes e devorei esse romance super fofo e cativante.

Lançado primeiramente no Wattpad, o e-book foi lançado nesse ano pela Amazon e não me decepcionou. Eu estava procurando uma leitura leve e fluída, mas que me tocasse, e foi justamente isso que a Juliana me entregou.

“Enquanto o Sol Brilhar” conta a história de Mariana, uma jovem professora que vive na pequena cidade de Vila Rica desde que nasceu. Mari é querida pela cidade inteira, pois exala simpatia e simplicidade, além de se preocupar genuinamente com a população local.

“Eu sou uma pessoa descomplicada, não tenho sonhos exorbitantes. Quero conhecer lugares, outras culturas, mas quero viver aqui, quero continuar fincando as minhas raízes.”

Mari é beeem diferente de mim, mas ainda assim consegui me identificar com ela em vários momentos. Um aspecto em especial da sua rotina me remeteu à minha própria infância, quando meu pai colocava os seus discos de vinil para tocar e contagiava todo o ambiente, me fazendo apaixonar por música de forma profunda e irremediável!

[ESPAÇO]

“Eu achava incrível ter pais que faziam questão de sempre ter blues, jazz e até mesmo rock dos anos 1970 tocando em casa. Fui criada ouvindo os discos deles na vitrola velha. Papai sempre dizia que a música coloria a vida em qualquer circunstância e que ela marca gerações. A minha já estava marcada.”

[ESPAÇO]

O relacionamento dela com os amigos e, principalmente, com os pais é tão lindo de se ver que, por diversas vezes, me comoveu. Um dos meus personagens preferidos é, sem dúvida, o pai de Mari – Seu Zé – que preenche a história com amor e zelo incondicional por sua esposa e sua filha, além de nos divertir com inúmeras curiosidades e nos trazer palavras de sabedoria.

“Eu tinha um exemplo forte de que a afeição durava e perdurava por anos. O amor existia. Eu tinha a prova viva dentro de casa.”

“Lembro-me imediatamente de uma frase do meu pai: os amores mais intensos aperfeiçoam-se no silêncio.

E, nesse momento, resolvo guardar as palavras dentro do meu coração.”

[ESPAÇO]

A rotina de Mari gira em torno, praticamente, dos seus alunos, dos trabalhos voluntários e de seus pais. No que diz respeito ao amor, a jovem fechou-se completamente para essa possibilidade após uma grande decepção há alguns anos, então mantém apenas encontros casuais com o prefeito da cidade, Vinícius – que não vê a hora de oficializar a sua relação com a professorinha mais amada de Vila Rica. Afinal, ela seria uma primeira-dama perfeita!

“Sempre soube que a alegria está presente na vida de quem abre as portas pra ela. Eu sempre abri as portas, mas agora percebo que a abria para as pessoas erradas.”

No entanto, se tem uma coisa na vida que não podemos evitar é nos apaixonar, e Mari vê o seu coração bater mais forte do nunca com a chegada de um novo médico na cidade: o Doutor Miguel, que vai morar exatamente na casa dos fundos da sua família.  

Miguel é um homem completamente dedicado aos seus pacientes, generoso, simpático e lindo de morrer… Bem difícil de gostar, não é? Rs. No entanto, ele é extremamente reservado e misterioso no que diz respeito ao seu passado.

“Miguel era tão bonito por dentro que desconfio que ele seja um anjo.”

Mari é uma menina tão maravilhosa que não demora muito para chamar a atenção de Miguel também e, o que começa apenas com uma admiração recíproca, vai trazendo a tona sentimentos cada vez mais profundos.

[ESPAÇO]

“E nossos olhares se prendem mais uma vez.

A sensação de estranheza me atinge

Era estranho.

E mais estranho seria se eu não me apaixonasse por aquele homem que me conquistava tão naturalmente.”

[ESPAÇO]

O romance vivido por Mari e Miguel traz luz à vida de ambos e os fazem vivenciar momentos de plenitude e felicidade. No entanto, o medo de Mari de se entregar completamente ao amor e a sombra do passado de Miguel fazem com que o relacionamento seja mantido em segredo.

“Era como se a minha vida tivesse sido criada apenas para esse propósito, o de estar aqui, nesse exato momento, sendo correspondida, e tudo passava a fazer sentido.”

O problema é que nada permanece escondido nessa vida e se tem uma coisa que sempre volta pra assombrar é passado secreto e mal resolvido… Você deveria saber disso, Miguel! É aí que começa a parte dramática do livro e leva Mari a descobrir o que tirou o brilho nos olhos do seu amado.

“Eu conseguia agora distinguir a diferença entre a alegria e a tristeza: as alegrias são intensas enquanto as tristezas são profundamente dilaceradoras.”

Como desgraça pouca é bobagem, outros problemas surgem na trama pra fazer a gente sofrer e chorar. Mas a autora não nos deixa esquecer nem por um segundo que é na dor que mais tiramos lições pras nossas vidas e exercitamos a nossa fé.

“Viver não é esperar a tempestade passar. É aprender a dançar na chuva.”

 “Procure não olhar para a vida com olhos negativos. A vida nunca tem fim para quem tem fé.”

Algo que achei muito interessante ao longo da leitura foi a forma como a felicidade nos é apresentada. Seja como ação, conquista ou escolha, nos conduz à reflexão de que ela só depende de nós mesmos.

[ESPAÇO]

“A felicidade mora nos pequenos gestos que se tornam grandes quando são feitos com amor e carinho.”

“- A felicidade é uma conquista individual. Se você não o fizer, ninguém o fará por você. Não se esqueça disso.”

“Hoje eu escolho a felicidade. E que seja infinito tudo o que nos faz bem.”

Todos os capítulos do livro são narrados sob o ponto de vista de Mari, exceto o epílogo, o que em minha opinião não foi uma decisão muito acertada. É claro que, se Miguel não ganhasse voz em determinado momento do livro perderíamos a oportunidade de presenciar um diálogo super importante e a autora correria o risco de deixar lacunas na história – e a gente ia xingar pra caramba no twitter! Rs –, mas eu achei que o último capítulo de Mari encerrou tudo de forma tão perfeita que o epílogo sobrou! Creio que uma solução viável seria esse capítulo vir em um momento anterior no livro, pois teríamos acesso a todas as informações necessárias e o capítulo da Mari finalizaria a história com louvor.

Mas como, do mesmo modo que a Mari, “Eu gosto de gente que sabe ser sol, mesmo quando a vida está nublada”, encerro esse post não com a minha crítica ao desfecho do livro, e sim dizendo a vocês que, apesar disso, a Juliana Parrini nos apresenta uma história simples, sensível e comovente, que trata de amor, felicidade, família, perdão e RECOMEÇO. Leitura super recomendada! Espero que gostem! :)

 “Não são as coisas bonitas que marcam as nossas vidas, mas sim as pessoas que têm o dom de jamais serem esquecidas.”

Capa EnquantooSolBrilhar JulianaParrini

Sinopse Oficial:

“Na monótona cidade provinciana de Vila Rica vive Mariana, filha única de pais amorosos, cresceu observando o amor verdadeiro de perto.

A jovem professora divide seu tempo entre as aulas que ministra para crianças na escola, os estudos e os trabalhos voluntários que exerce. Sua vida se transforma com a chegada do misterioso Dr. Miguel, um homem que coloca os seus pacientes em primeiro lugar, mas que mantém o seu passado em segredo.

Sem criar expectativas e tentando não levar tão a sério todo o desejo de desvendar os mistérios do doutor, Mariana será inebriada por sentimentos até então desconhecidos.

Nem sempre o passado pode ser esquecido e Mariana irá vivenciar em primeira mão o impacto de um grande segredo.

Quando a amizade e o encantamento dão lugar a uma admiração genuína, para chegar ao amor, é só uma questão de tempo.”

Nota Skoob: 4,5/5

Minha Nota: 3,8/5

2 Comentários para "Resenha Literária: Enquanto o Sol Brilhar, de Juliana Parrini"

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