Resenha literária: DOCE PERDÃO, Lori Nelson Spielman

Editora VerusFicção/Romance

  “Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você.” – Lewis B. Smedes

Você nunca vai encontrar seu futuro enquanto não se reconciliar com seu passado.”

 

Eu me interessei por esse livro por ser da mesma autora de A lista de Brett, que foi um livro que eu amei ler no ano passado (você pode conferir a resenha aqui). Em Doce Perdão, Lori continua seguindo a premissa da protagonista independente que quer ser forte e que precisa desatar as arramas do passado.

 

“Eu sempre imaginei a vida como um quarto escuro cheio de velas […] Quando nascemos, metade dela está acesa. A cada boa ação que fazemos, mais uma se acende, criando um pouco mais de luz.”

 

Doce Perdão é um livro de leitura fácil e fluida, mas recheado de lições que provavelmente vão mexer, ao menos um pouco, com seu emocional. O livro conta a história da Hannah Farr, uma apresentadora de TV de 34 anos que namora o prefeito da sua cidade e sonha em se casar com ele.

O enredo gira em torno das “pedras do perdão”, uma ideia criada por uma arqui-inimiga de Hannah no passado, que visa alcançar as pessoas a quem cada um magoou com um sincero pedido de perdão. Para colocar a ideia em prática, basta enviar uma carta explicando pelo que você está pedindo perdão junto com duas pedras. Se a pessoa te perdoar, ela manda uma pedra de volta e, para continuar o ciclo do bem, ela adiciona outra pedra e envia para alguém para quem ela tem que pedir perdão.

A criadora das “pedras do perdão”, Fiona Knowles, as envia para Hannah com um pedido de desculpas por seu comportamento no passado, entretanto, ela nem imagina a cadeia de eventos que sua atitude desencadeou na vida de Hannah, fazendo com que, para ela, tudo saísse dos eixos, e por isso é muito difícil para a nossa protagonista sequer cogitar perdoá-la (ainda que ela acreditasse na sinceridade de seu ato).

 

“Mas eu tinha muito medo de deixar os outros verem essa pessoa. Ela não era suficientemente boa. Isso é irônico, não é? Tentamos tanto camuflar nossas fraquezas… Não ousamos deixar a parte sensível aparecer. Mas é exatamente essa parte, o ponto delicado da vulnerabilidade, que permite que o amor cresça.”

 

Hannah está num momento de crise justamente quando a moda das “pedras do perdão” entra em ascensão. O programa de Hannah está com baixíssima audiência e ela quer se casar com seu namorado, mas não o vê se movendo para isso e continua usando a desculpa de que só vai pensar em se casar depois que sua filha se formar no ensino médio. Justamente nesse momento, Hannah recebe uma proposta que pode ajudá-la com ambos os problemas, ou pelo menos com um deles e resolve arriscar tudo para que dê certo. É aí que a aventura começa.

 

“Sabe, às vezes você só tem que se deixar cair. É quando você resiste, quando tenta interromper a queda, que se machuca.”

 

O que gosto bastante nas protagonistas de Lori é que elas são bem reais, tem atitudes bem reais mesmo e isso acaba gerando uma identificação com o leitor que é bacana. Além disso, seus personagens secundários são sempre muito interessantes e nisso Doce Perdão não fica para trás. A busca de Hannah para entender o momento em que tudo mudou em sua vida e em que ela, inevitavelmente, se perdeu um pouco de si mesma é uma jornada muito intrigante e confesso que surpreendente em alguns momentos.

 

“Alguns amigos são como nossos moletons favoritos. Na maior parte dos dias, optamos por blusas e camisetas. Mas o moletom está sempre ali, no fundo do nosso armário, confortável, conhecido e pronto para nos manter aquecidos nos dias de ventania.”

 

Eu senti muito pela Hannah e com a Hannah à medida que ela tomava compreensão do quanto ela estava frustrada com a própria vida e que isso tinha razões muito mais profundas do que ela ousava cogitar. A grande verdade por trás do enredo do livro é que realmente quando se chega a um ponto em que nada está como deveria ou gostaríamos, é preciso repensar, e repensar nos leva a agir e esse agir nunca vem sem alguma bagunça, seja a bagunça de desarrumar o passado bem guardado ou a de precisar dar um tempo no presente para se reencontrar.

 

“Quando estamos com vergonha de alguma coisa, temos a escolha de continuar atolados na raiva que sentimos de nós mesmos ou de nos redimir. Essa escolha, na verdade, é bem simples. Queremos levar uma vida clandestina ou uma vida autêntica?”

 

Existiram questões no livro que me incomodaram um pouco. Não dá pra falar delas sem dar spoilers, mas acho que algo muito importante foi retratado de maneira um pouco confusa e o desfecho em relação a isso para mim não foi satisfatório. É possível que muitos leitores se sintam da mesma maneira, então, não custa já avisar.

 

“A certeza é o consolo dos tolos. Aprenda a viver com ambiguidade, minha querida.”

 

“Ah, querida, você não vê? Não é a mentira. Nunca é a mentira. É encobrir que nos arruína.”

 

Como disse a princípio, Doce Perdão é um livro gostoso de leitura rápida e que tem muito a agregar com seus trechos fortes, porém sutis. O livro gira em torno de perdão, então te leva a refletir sobre causa e efeito e seus próprios relacionamentos. Mais importante, ele deixa claro o quanto o perdoar e dar perdão é importante, mas também que tais atos não são capazes, por si só, de arrancar as consequências do malfeito.

 

“Um pedido de desculpas não apaga nossos erros. É mais como passar uma borracha sobre eles. Sempre sabemos que o erro está ali, logo embaixo daquela aspereza no papel. E, se olharmos direito, ainda o vemos. Mas, com o tempo, nossos olhos começam a ignorar o erro, e só enxergamos o texto novo, mais claro desta vez, e escrito com mais reflexão.”

 

Desejo que vocês leiam o livro e espero que se encantem, se apaixonem e sejam tão tocados quanto eu! É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

 

“Para cada vela que apagamos, acendemos outra. Que viagem de tentativas e erros é esta experiência humana… A vergonha e a culpa que carregamos são temperadas por momentos de generosidade e humildade. No fim, só podemos esperar que a luz que lançamos seja mais forte que a escuridão que criamos.”

 

Beijos e até mais! 😉

 

 

Nota no Skoob: 4,1/5

Nota no GoodReads: 3,8/5

MINHA Nota: 4,1/5

 

Resumo oficial:

“Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras… As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado – o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las – assim como para pedir perdão.”

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *