Resenha literária: DEPOIS DAQUELA MONTANHA, de Charles Martin

Editora Arqueiro | Ficção/Romance

 “Quando o pior é uma possibilidade, é bom mantê-lo em perspectiva. Sem que a gente se esconda dele. Sem fugir. Ele pode acontecer. E, se quando acontecer, é melhor ter pensado nele de antemão. Desse jeito, a pessoa não é esmigalhada quando o pior se torna realidade.”

 

Olá, leitores! A resenha de hoje é sobre “Depois daquela montanha”, um romance que recebeu muitas críticas positivas, cuja adaptação para o cinema será lançada ainda este ano.

Comecei a ler “Depois daquela montanha” no meu “Clube do livro de nós duas”, rs, com a minha amiga Alana (@alanamoura__), mas ela acabou me ultrapassando e eu não consegui acompanhá-la. Honestamente, não foi uma leitura fácil pra mim, o que não significa que tenha sido ruim, porém, tentarei explicar melhor ao longo da resenha meus motivos para ter gostado bastante do livro e mesmo assim não tê-lo devorado.

 

 “E então aparece alguém que remenda uma borda esfarrapada ou devolve um pedaço perdido. O processo é maçante, doloroso e sem atalhos. Tudo o que promete ser atalho não o é.”

 

O livro conta a história de duas pessoas que se conhecem num aeroporto, um médico e uma jornalista, cada qual com sua própria vida, seus próprios dilemas, mas com um problema em comum: precisam voltar logo para suas casas e os voos estão suspensos, portanto, por iniciativa do Dr. Ben Payne, nosso protagonista, eles acabam fretando um voo particular, que os leva à montanha do título.

Não é spoiler, portanto, nenhum segredo, que eles sofrem um acidente e a trama passa a se desenrolar a partir daí. Ashley estava prestes a se casar e agora está em uma condição de saúde alarmante perdida nas montanhas, enquanto o habilidoso Ben se sacrifica de todas as maneiras possíveis pra mantê-los vivos ao tempo em que busca nessa jornada cura não apenas para os ferimentos físicos, mas principalmente para os da sua alma.

 

“Você e eu… nunca chegamos a terminar de verdade a nossa conversa, mas uma coisa eu posso lhe dizer: viver com o coração partido é viver semimorto, e isto não quer dizer que o sujeito esteja meio vivo. Quer dizer que está meio morto. E… isso não é jeito de viver.”

 

A história é muito interessante e não é parecida com nada que tenha lido nos últimos tempos, o que chamou muito minha atenção. Outra coisa que me atraiu bastante foi o fato de o autor ter feito realmente uma grande, profunda e detalhada pesquisa sobre cada assunto que ele abordou, fiquei impressionada com a quantidade de informações e detalhes. Além disso, a habilidade do autor em construir os personagens, para mim, foi algo admirável. Tudo muito crível, muito intenso e real. Eu simplesmente amei a construção da vida de Ben e cada detalhe sobre tudo que o tornou quem ele é.

 

“Muito do que eu sou foi ele quem fez. Forjou-o em mim. Sei disso. Mas meu pai usava dor para me livrar da dor. E me deixava vazio e ferido. Você se derramou em mim e me preencheu até a borda. Pela primeira vez, não senti dor. Você me deu a única coisa que ele nunca ofereceu. Um amor que não dependia de cronômetro.”

 

O livro é cheio de lições sobre amor e vida. A escrita de Charles é rica e precisamos tirar o chapéu para a maneira como ele consegue abordar o romance de uma maneira tão inspiradora, tão doce e forte, que nos remete à literatura clássica.

Entretanto, eu não sei se foi o momento da minha vida, mas, como disse acima, foi uma leitura bem difícil de ser processada. Eu lia 10 páginas e ficava dois, três dias sem conseguir ler de novo.

 

“Esperar por alguém faz isso. Transforma os minutos em horas, horas em dias e dias em vidas.”

Até as últimas 80 páginas, eu não sentia ansiedade alguma de voltar para o livro, e depois de conclui-lo, imagino que tenha sido por uma série de fatores: primeiro porque o fato de eles estarem perdidos na montanha foi algo que mexeu com minha ansiedade. Sem brincadeira. Quando Ben narrava sobre a branquidão ao redor deles, eu tinha um leve pânico e não queria ler mais nada; segundo, eu mergulhei demais em um plot na história, que me fez negligenciar o plot principal, não dá pra explicar direito sem dar spoilers, mas o narrador conta duas histórias em paralelo, e uma foi mais envolvente para mim do que a outra e isso me fez rejeitar um pouco a trama em alguns momentos; terceiro, a narrativa do autor, apesar de gloriosa, é muito, muito descritiva, e isso realmente é algo que me incomoda um pouco, eu gosto de descrição, gosto mesmo, mas gosto quando eu posso imaginar as coisas também, numa narrativa em que não me sobra nada pra imaginar, eu fico um pouco entediada; por fim, acho que meu problema principal foi a certeza absoluta de que eu iria sofrer, rs. O que não necessariamente é uma certeza, mas era meu sentimento durante a leitura e acho que eu não tava muito disposta a isso.

 

“A escuridão faz isso. Dá voz a medos que permaneceriam não ditos, apesar de reais, se os deixássemos sossegados.”

 

No fim das contas, eu consegui engatar a leitura do meio para o final e preciso dizer que é um livro muito bom, realmente, muito bom. Não é o tipo de livro que recomendaria para uma leitura rápida, é um livro cuja ressaca literária pode acontecer durante a própria leitura e não ao final, mas um livro que vale a pena ser lido. É lindo e inspirador.

 

“Às vezes me pergunto como foi que você se apaixonou por mim. Você acredita em coisas que não pode ver e fala uma língua que só os corações conhecem.”

 

O final foi um pouco perturbador pra mim. Definitivamente, não foi nada como eu esperava, e algumas coisas me deixaram meio assim sem ter certeza se era lindo e maravilhoso ou um pouco perturbador mesmo, mas, me concentrei no fato de que é um livro do gênero romance e, principalmente, um livro sobre amor, sobre a força do amor, então levei em conta a licença poética em um sentido mais amplo e acabei absorvendo positivamente tudo que li.

Então, gente querida, é isso: trata-se de uma ótima indicação e corram para ler antes de sair o filme porque todo bom bookaholic e cinéfilo sabe que não há nada como ler o livro primeiro, né? A adaptação trará a maravilhosa Kate Winslet no papel de Ashley e, no papel de Ben, o ator Idris Elba. É previsto para estrear em outubro de 2017. Ansiosa!

“Paus e pedras podem quebrar ossos, mas, se você quiser ferir alguém… bem fundo, use palavras.”

 

Desejo que vocês leiam o livro e espero que gostem e sejam tão tocados quanto eu! É isso então, fica a dica pra vocês! <3

Beijos e até mais! 😉

 

Nota no Skoob: 4,5/5

Nota no GoodReads: 4,1/5

MINHA Nota: 4/5

 

Resumo oficial:

“O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo. Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida. Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada. Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas. Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.”

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