Resenha literária: BELEZA PERDIDA, Amy Harmon

Editora Verus

Ficção/New Adult

 

“Talvez todo mundo represente uma peça do quebra-cabeça.
Todos nós nos encaixamos para criar essa experiência que chamamos de vida. Nenhum de nós consegue enxergar o papel que desempenha ou a forma como tudo vai acabar.
Talvez os milagres que vemos sejam apenas a ponta do iceberg.
E talvez a gente apenas não reconheça as bênçãos que resultam de coisas terríveis.”

                 “Beleza Perdida” foi um livro que me surpreendeu tanto e tão positivamente, que resenhá-lo tornou-se mais que um desejo de compartilhar minhas impressões sobre ele, e sim uma obrigação. A grande ironia é que o livro fala justamente sobre isso, sobre enxergar além da capa. Vou me explicar melhor, acompanhem!

               Quando ouvi falar sobre “Beleza Perdida”, fiquei com o pé atrás. Primeiro, a capa não me chamou a atenção (eu sei, gente, eu tenho esses probleminhas com capa mesmo, mas tô sempre apanhando do meu preconceito); segundo, vi que era new adult e, apesar de, a essa altura do campeonato, saber que eu já deveria ter tomado vergonha na cara pra assumir que eu tô lendo mais new adult do que a Aninha de 2014/2015 gostaria de admitir (e gostando do gênero mais do que gostaria de admitir também, por sinal, haha), fiquei resistente. Por último, a premissa do livro me deixou cabreira. Ok, ainda assim, resolvi comprar.

“Acho que as pessoas são assim.
Quando a gente olha de verdade para elas, para de ver um nariz perfeito ou dentes retos.
A gente para de ver as cicatrizes de acne, o furinho no queixo.
Essas coisas começam a se confundir,
e de repente você vê as cores, a vida dentro da casca,
e a beleza assume um significado totalmente novo.”

               Uma amiga insistiu comigo que o livro era muito bom e que eu não me arrependeria da leitura. Então, por confiar na opinião dela, decidi colocá-lo na lista de prioridades sem muita expectativa e aqui estou para admitir: “Beleza Perdida”, sem dúvida, foi uma das minhas melhores leituras de 2016 até agora!

               Vocês podem conferir pela foto do meu exemplar a quantidade de trechos do livro que tive que destacar, transcrevi ao longo dessa resenha os mais impactantes. Não sei nem por onde começar a dizer o quanto a leitura me cativou, mas vamos lá, vou tentar elencar os pontos mais relevantes sem dar spoilers.

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“A morte é fácil. Viver que é a parte difícil.”

               O livro é narrado em 3ª pessoa e conta a história de Fern Taylor e Ambrose Young. Fern é uma típica garota interiorana, inocente, filha de pastor, sonhadora e tímida, enquanto Ambrose é considerado o garoto mais bonito da cidade, que, além de ostentar traços perfeitos, é talentoso no esporte e promete representar a cidade na luta livre, quem sabe até ser um campeão olímpico?! Pelas regras do universo, Ambrose nunca olharia pra Fern, como, de fato, não olha, porém, as coisas que têm que acontecer tem muita força, então… De repente, Ambrose e Fern acabam se tornando íntimos um do outro enquanto ela se passa por outra pessoa e isso faz com que ele a perceba, mas também que fique com muita raiva dela quando descobre a farsa.

 

               “Sempre achei que a beleza pode ser um impedimento para o amor […]
Porque às vezes nos apaixonamos por um rosto, não pelo que está atrás dele.”

               Isso é apenas uma pincelada dessa história cheia de vieses, mas também o que dá início ao possível romance entre eles. Porém, “Beleza Perdida” é muito mais que a história de um possível romance entre dois adolescentes que se reconectam na vida adulta. Fern tem um melhor amigo, que é também seu primo, e ele se chama Bailey. Em minha opinião, Bailey às vezes é mais protagonista até do que Fern e Ambrose, pois sua história por si só preenche tanto as páginas do livro e as vidas de quem está lendo de maneira tão intensa que é impossível negar-lhe a devida atenção. Não saberia relatar o quanto me emocionei e fui tocada pela força do personagem, que sofre de distrofia de Duschenne, mas que impressiona por buscar levar a vida da maneira mais normal possível e desenvolve uma trajetória incrível de acordo com suas expectativas.

 

“É difícil aceitar que você nunca vai ser amado do jeito que quer ser amado.”

               Bailey é aquele tipo de personagem que eu me apego na história, porque ele é quem dá a liga pra tudo. Ele é aquele que vai e fala, que faz, que não se acanha diante da vida… E ele é responsável por ligar o interruptor que faz iluminar as perspectivas tanto de Fern quanto de Ambrose.

“[…] isso que é legal na amizade.
Não se trata de ser perfeito nem de ser merecedor.
A gente te ama e você ama a gente,
por isso vamos estar ao seu lado.”

 

               Ambrose, depois de conseguir uma bolsa de estudos para fazer faculdade e praticar luta livre, ainda abalado pelos acontecimentos do 11 de setembro de 2001 e pelas dúvidas que o acometem durante toda a vida sobre quem ele realmente é e sobre quem ele quer ser, resolve se alistar para o exército e influencia seus melhores amigos a irem com ele. A interação entre Ambrose, Jesse, Grant, Paul e Beans, para mim, também é um dos pontos altos do livro. Adorei a maneira como a autora conseguiu definir perfeitamente como funciona a amizade num grupo relativamente grande como o deles, cada um com seu papel para que funcionem como um só organismo. É lindo, é inspirador e também devastador, tendo em vista a tragédia que envolve a amizade deles, e que vocês entenderão ao ler o livro.

“Nos dias e semanas que se seguiram
após os atentados de 11 de setembro,
a vida voltou ao normal, mas parecia errada,
como uma camiseta favorita vestida ao avesso –
ainda era a sua camiseta,
ainda era reconhecível, mas pinicava em todos os lugres,
com as costuras à mostra, a etiqueta para fora,
as cores mais fracas, as palavras de trás para frente.
Só que, diferente da camiseta,
a sensação de algo errado não podia ser corrigida.
Era permanente, era o novo normal.”

               Confesso que a primeira coisa que fez com que eu me rendesse à história foi a escrita de Amy Harmon e a tradução muito bem feita pela Verus Editora. Procurei o livro original “Making faces”, porque tenho essa mania de querer ver se a tradução realmente fez jus à escrita da autora, porém, dessa vez, de fato, eu nem precisava. Toda poesia em meio à prosa autoral estava ali, inspirando, tocando a alma e atingindo profundamente a minha percepção como leitora. Adorei a maneira como ela é capaz de descrever as coisas sem tornar a leitura cansativa, que geralmente é algo que me incomoda em narrações muito descritivas. Adorei também a maneira como ela foi capaz de humanizar seus personagens, num primeiro momento, tão estereotipados, e nos fazer enxergá-los como únicos.

“Às vezes não é possível retomar a vida.
Às vezes a vida está morta e enterrada,
e a única opção é fazer uma nova.”

               O amor entre Fern e Ambrose também foi uma coisa que me chocou. Como disse, a premissa do livro de um romance entre o patinho feio e o príncipe, depois entre a Bela e a Fera, foi algo que eu pensei que não teria como não ser de mau gosto, mas a autora foi extremamente convincente em me fazer ver além da capa, da premissa, dos estereótipos e enxergar sentimentos e verdade em todos os acontecimentos e ações. Independente de como a história se desenvolve, porque não é meu papel aqui dizer os rumos dos personagens, achei que tudo foi lindo e verdadeiro, mesmo em meio à dor.

 

“Antes ou depois?
Fern:
‘Antes; a expectativa costuma ser melhor que a coisa real’.
Ambrose:
‘Depois. A coisa real, quando bem feita,
é sempre melhor que sonhar acordado’.”

               Eu me identifiquei tanto com Fern, indo além das questões exteriores que a cercam, mas a perspectiva de vida e os sonhos dela. A criação religiosa e a fé incondicional, que transpõe o clichê e o contexto religioso, a paixão por livros e pela escrita, a lealdade dela aos seus sentimentos e relacionamentos e sua maneira de enxergar a beleza além dos olhos, mesmo quando o que os olhos veem é tão belo que chega a distrair. É uma personagem adorável, que amei do começo ao fim!

“Os livros permitem que as pessoas sejam quem elas querem ser,
para escapar de si mesmas por um tempo.”

               Sério, recomendo muito a leitura de “Beleza Perdida”. A escrita, a história, tudo nesse livro é muito bom, honesto e real, é impossível passar ileso a tanta sinceridade. Como disse, está aí: foi uma das minhas leituras preferidas de 2016 até agora e estou muito feliz por ter ouvido a insistência de Alana (instagram: @livrosdalana) dizendo que eu o amaria (AMEI, amiga! <3).

“A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai,
precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível.
É o gotejamento lento que faz a estalactite,
o tremor da Terra que cria as montanhas,
o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas.
E da violência, do furor, da ira dos ventos,
do rugido das águas emerge algo melhor,
algo que de outra forma nunca existiria.
E assim suportamos.
Temos fé na existência de um propósito.
Temos esperança em coisas que não podemos ver.
Acreditamos que há lições na perda e poder no amor,
e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica
que o nosso corpo não pode contê-la.”

               É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

Beijos e até mais!

 

“Se Deus faz todos os rostos, Ele riu quando me fez?
Ele faz pernas que não podem andar e olhos que não podem ver?
Ondula os cabelos na minha cabeça numa rebelde insensatez?
Fecha os ouvidos do surdo para que ele precise depender?
Minha aparência é coincidência ou ironia do destino?
Se Ele me fez assim, posso culpá-lo pelo o que odeio?
Pelos defeitos que parecem piorar a cada vez que me olho no espelho,
Pela feiura que vejo em mim, pelo ódio e pelo medo.

Ele nos esculpe para o Seu prazer, por uma razão que eu não posso ver?

Se Deus faz todos os rostos, Ele riu quando me fez?”

 

Nota no Skoob: 4,6/5

Nota no Orelha de Livro: 4/5

MINHA Nota: 9,3/10

 

Resumo oficial:

“Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.

Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.

Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.”

8 Comentários para "Resenha literária: BELEZA PERDIDA, Amy Harmon"

  1. Sem dúvidas, essa foi a sua melhor resenha de um livro, ainda que as outras sejam de altíssimo nível! Mas essa… essa foi escrita com muita paixão e emoção! É palpável! Rs… Esse foi o diferencial! Consegui (re)sentir tudo que li no livro através do seu olhar! Deu até vontade de ler de novo! rsrs… Eu sabia que você ia amar essa estória assim como eu… foi um dos meus livros favoritos de 2015.
    Parabéns por ter conseguido colocar as palavras exatas sobre o que um leitor pode sentir ao ler o livro! Excelente!!!

    Um beijo!! <3

  2. Comprei esse livro pela sinopse e capa.
    Mas quando comecei a lê-lo super me apaixpnei pela força de vontade de Bailey.
    Ri muito de suas piadas e loucuras.
    Esse me encantou de um modo que não consegui largá-lo até terminar.
    Esse ficou no meu top 5 de 2105 seguido logo atrás pela série Os Irmãos Hathaways da autora Lisa Kleypas.
    Bom, adorei sua resenha e olha que raramente paro pra ler uma mas fiquei muito curiosa e mais uma vez me surpreendi.
    Abraços 😉

  3. Amei a resenha. Eu também tinha um certo preconceito com esse livro. Só que eu tô lendo tanta resenha boa que eu decidi dar uma chance. Sua resenha só aumenta minha vontade de ler

  4. Que resenha é essa? 👏😱
    Parabéns ela foi escrita com muito amor é muito perceptível isso, não que as outras não tenham sido, mas essa? Essa tem uma emoção esplêndida, uma descrição MARAVILHOSA!
    Simplesmente estou ansiosa para poder realizar a compra desse livro, já queria ele antes e agr então 😍👏

  5. New Adult não faz meu tipo, mas você falou tão bem desse livro que eu realmente fiquei curiosa. Não sei se seria o caso de comprá-lo agora, mas certamente leria pois parece ser diferente e bem mais do que indica a sinopse. Arrasou na resenha como sempre, beijos!!

    ourbravenewblog.weebly.com

  6. Eu to querendo esse livro a muito tempo, principalmente quando vi a comparação entre a Bela e a fera, porque sou louca por eles e nunca vejo nada parecido.
    Essa resenha com certeza me deu muito mais vontade de ler esse livro e já vou colocar ele aqui como próximo que quero comprar ♡

  7. Só vejo resenha boa sobre esse livro, tou ficando louca para comprar logo ele.
    Adorei a resenha!!
    Beijos, meumundomeusbooks.blogspot.com

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