Resenha Literária: Aquele Verão, de Sarah Dessen

Editora iD

Young Adult

 “Sentia falta do que todos éramos naquela época. Um verão e um cara e, de repente, as coisas não eram mais as mesmas.”

Depois de me encantar completamente com “Os Bons Segredos”, decidi ler o romance de estreia de Sarah Dessen: “Aquele Verão”. O livro é super fininho – menos de 200 páginas! – e uma ótima escolha para curar uma ressaca literária, visto que, apesar de contemplar os dramas de uma adolescente, ele acaba sendo fluído e trata as questões levantadas com muita leveza.

A história é contada em primeira pessoa por Haven, uma garota de 15 anos que possui apenas um metro e oitenta e cinco de altura (com a grande possibilidade de não parar por aí… Rs). Creio que eu, no auge dos meus um metro e cinquenta e quatro, não veria problemas nisso, mas o fato é que isso incomoda profundamente a narradora da trama, que se vê como uma gigante horrível e desproporcional – bem típico de uma adolescente, claro! Além das mudanças físicas, Haven ainda tem que lidar com dois casamentos bem próximos: o do seu pai, que largou a sua mãe para ficar com a “Mulherzinha do Tempo” com a qual dividia a bancada no jornal; e o da sua irmã mais velha, Ashley, com um cara completamente sem graça.

Com 5 anos de diferença entre as duas, a relação entre Haven e Ashley nunca foi perfeita, pois possuem personalidades muito diferentes e nunca conseguiram encontrar o timming ideal, exceto em determinado verão… Um verão em que Ashley estava completamente relaxada, divertida, descolada – bem diferente da noiva ensandecida de agora –, e incluía a irmã mais nova em seus planos com Sumner, o namorado mais fantástico que ela já teve, segundo Haven. Ademais, naquele verão, seus pais eram felizes e não havia nenhuma mulher ameaçadora apresentando a previsão do tempo.

[ESPAÇO]

“Senti novamente a mesma sensação que eu tinha sempre que outra mudança ou transformação na minha vida se anunciava… – aquela necessidade de prender os calcanhares no chão e me prepara para o próximo baque e suas consequências.”

[ESPAÇO]

É natural que, quando grandes mudanças ocorrem em pouco tempo, haja um apego ao momento em que tudo era tranquilo e os problemas “não existiam”. Haven se agarrou às lembranças daquele verão de forma irremediável! Para completar, ela começa a ver Sumner em todos os lugares da cidade, reforçando o sentimento de que ele era uma peça necessária, que Ashley, como um tola egoísta, descartou do quebra cabeças de suas vidas, sem pensar no quanto isso afetaria a sua irmã mais nova.

“O primeiro garoto é sempre o mais difícil de superarmos, Haven. É assim que o mundo funciona.”

É incrível como Dessen escreve sobre pessoas comuns, com histórias ordinárias, mas contadas de forma singular, o que nos prende até o último segundo, ainda que não haja um pote de ouro no final do arco-íris. Ela valoriza a trajetória. O ponto de chegada é uma mera consequência.

[ESPAÇO]

“A música se elevou, tons de soprano e harpas e tristeza, lamentando algum rapaz perdido na guerra, mas ainda conservei meus olhos fechados e tentei me lembrar de cada detalhe desta dança, pois mesmo naquele momento sabia que não iria durar.”

[ESPAÇO]

No entanto, “Aquele Verão” ainda não possui a maturidade narrativa de “Os Bons Segredos”, nem é completamente explorado como poderia. A volta da super modelo Gwendolyn Rogers à cidade de Haven tinha muito potencial e Sarah perdeu uma ótima oportunidade de se debruçar mais nessa relação entre as duas; eu fiquei esperando um desenvolvimento que, infelizmente, nunca veio… A melhor amiga de Haven, por sua vez, apesar de ser uma adolescente bem real, é uma personagem chata que teve um espaço maior do que o necessário na trama.

Além disso, Haven não é uma personagem completamente cativante da qual você se lembrará para sempre, longe disso. Sumner é o verdadeiro imã dessa história, até porque tudo o que sabemos dele, incialmente, é narrado sob a perspectiva da protagonista, envolta por uma áurea nostálgica e inocente.

“O reaparecimento dele era prova de que o tempo do qual eu sentia saudade realmente acontecera. Neste verão, Sumner era exatamente o que eu precisava.”

“Aquele Verão” é, realmente, uma leitura despretensiosa para horinhas de descuido, mas traz lições importantes que levam ao crescimento de Haven e nos acertam em cheio. Ele nos lembra de que toda história possui dois lados e de que, na vida, nada é preto no branco; todos somos humanos e passíveis de erros, mas como lidamos com as consequências é o que realmente nos define para o resto da nossa existência.

“Às vezes, as coisas não acabam da forma que queremos, Haven. Às vezes, as pessoas que escolhemos para confiar não são as corretas.”

[espaço]

Sinopse Oficial:

“Há muita coisa acontecendo na vida de Haven… Primeiro, o casamento do pai com Lorna Queen, a ‘Mulherzinha do Tempo’ da televisão local. Depois, o casamento da irmã Ashley com o chato Lewis Warsher, que não parece combinar com Ashley de jeito algum. Haven também não consegue ignorar o fato de ter quase um metro e oitenta e cinco de altura e ainda continuar crescendo. Ela mal consegue ver quem ela é agora ou onde ela pode se ajustar.

Então, o antigo namorado de Ashley, Sumner Lee, aparece e reacende as lembranças de Haven do verão quando seus pais eram felizes, a irmã era descolada e despreocupada, e tudo era perfeito… ou pelo menos assim parecia.”

[espaço]

Nota Skoob: 2,9/5

Minha Nota: 3/5

 

 

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