Resenha Literária: Apenas Um Dia, de Gayle Forman

Editora Novo Conceito | Young Adult/ Romance

“E se Shakespeare entendeu tudo errado? Ser ou não ser, eis a questão. Isso é de Hamlet, talvez o monólogo mais famoso de Shakespeare. […] Mas, e se Shakespeare, e Hamlet, estivessem fazendo a pergunta errada? E se a verdadeira pergunta não se referir a ser, mas como ser?”

Apenas um Dia é o primeiro livro da duologia de Gayle Forman cujo segundo livro é Apenas um Ano (há também um conto chamado Apenas Uma Noite que encerra a história, mas que ainda não foi publicado no Brasil). Ganhei esse livro de presente em outubro de 2015, tentei lê-lo no início do ano passado (li só umas 40 páginas), mas o acaso quis que ele fosse a minha segunda leitura de 2017 (este é um livro sobre acasos) e assim aconteceu. Gostei tanto do livro que assim que terminei de lê-lo já comecei a leitura de Apenas um Ano (que resenharei em breve aqui no blog também), porque precisava de mais, mas acabei dando uma pausa para contar as minhas impressões de Apenas um Dia antes de me “contagiar” por Apenas um Ano. Acho que assim fica mais interessante já que o primeiro livro é todo contado através da perspectiva de Allyson e o segundo sob a perspectiva de outro personagem.

 

“Se o tempo pode ser fluido, então talvez algo que seja apenas um dia possa continuar para sempre.”

Apenas um Dia conta a história de Allyson Healey, uma garota estadunidense de Boston, que acabou de terminar o ensino médio e está prestes a entrar na faculdade, mas antes disso embarca numa tour pela Europa com a sua melhor e única amiga da vida toda, Melanie, e é nesse momento que conhecemos Allyson. Melanie a convenceu a cortar seu cabelo bem curto, numa tentativa de incentivar a amiga a se repaginar e experimentar ser uma pessoa diferente agora que vai para a faculdade conhecer pessoas totalmente novas e também viver experiências novas.

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Acontece que a tour está bem chata e as visitas guiadas não apresentam nenhum tipo de emoção àquela viagem, mas então, quando Allyson e Melanie se desviam do grupo e assistem a Noite de Reis, uma peça de Shakespeare, apresentada por um grupo de teatro numa praça em Stratford-upon-Avon, Allyson conhece Willem, um ator-viajante-holandês-misterioso. Alimentada pela vontade de ser diferente, de fazer diferente e de viver novas emoções, um pouco pelo incentivo da amiga, mas muito mais por uma vontade que sempre esteve trancafiada dentro dela, a nossa protagonista acaba aceitando o convite de Willem para viajar com a ele a Paris e passarem um dia por lá. Mas Allyson nunca faria algo assim e é por isso que ela assume uma outra personalidade, para Willem, ela é Lulu e Lulu sempre diz sim às novas experiências, é corajosa e destemida.

“Ao final, ele estava certo; o corte não deixou cicatriz, apesar de parte de mim desejar que tivesse deixado. Pelo menos eu teria alguma evidência, alguma justificativa para essa continuidade. As manchas são ainda piores quando se é a única pessoa que consegue vê-las.”

Entretanto, o que era para ser apenas um dia em Paris com um ator-viajante-holandês misterioso plus(+) lindo, acaba sendo um dia que vai desencadear todas as mudanças da vida de Allyson dali pra frente. E eu diria mais, mudanças não apenas na vida dela, mas na Allyson em si, que nunca mais será a mesma depois dessa viagem e que, depois de muitas turbulências, finalmente vai encontrar a si mesma, a pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabia como ser.

“Ela acredita em santos. Eu acredito em acasos. Acho que, basicamente, acreditamos nas mesmas coisas.”

O que pode soar como apenas mais um romance clichê à primeira vista se mostrou muito mais e muito mais profundo que isso para mim. Apenas um Dia é um livro sobre amor sim, mas não apenas do amor entre duas pessoas, mas também do amor de uma pessoa por si mesma, um livro sobre se conhecer, sobre se descobrir e sobre conseguir ser quem e o que você quer ser.

“Ele me mostrou como me perder, e então eu mostrei a mim mesma como me encontrar.”

Apenas um Dia é definitivamente um livro que me conquistou e que eu posso indicar sem medo. Gayle Forman já tinha me encantado quando devorei Se Eu Ficar e me apaixonei por sua escrita altamente fluida e definitivamente não me decepcionou este livro. Apenas leiam!

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