Resenha literária: A lista de Brett, de Lori Nelson Spielman

Verus Editora

Ficção/Romance/Drama

 “Sim, ela fez isso. Minha mãe fez uma imensa aposta tentando consertar uma vida que  achou que estava arruinada. Ela desejava me garantir a felicidade, pura e simplesmente. Eu só espero que ela não perca a aposta.”

A lista de Brett foi um livro que morou na minha estante por mais tempo do que acho justo. Nem sei quanto demorou para que eu o pegasse para ler e quando isso finalmente aconteceu, me arrependi amargamente pela demora, isso porque, claro, trata-se de um livro fantástico!

A capa de A lista de Brett é linda, porém a sinopse não foi o suficiente pra me fazer querer mergulhar de cabeça, entretanto, mais uma vez esta é uma daquelas situações em que a sinopse não comporta o enredo e que, também, apesar de haver o clichê (e apesar de nós amarmos o clichê, mas às vezes querermos mais), o que faz a diferença é como a história é contada. E a história de Brett, gente querida, eu garanto, é totalmente surpreendente e muito bem contada.

Para começar, eu amo esses romances (no sentido de gênero, não necessariamente de romance mesmo) em que a protagonista já passou da famigerada ‘idade de casar’ (como diria os antigos, e que pare por aí). Gosto de sentir que a vida de adulto não está sendo completamente louca, imprevisível e caótica apenas para mim, aplaca um pouco a solidão desse mundo cruel.

Adentrando o enredo especificamente, a história começa a partir da morte da mãe de Brett, uma mulher extremamente rica, empresária, verdadeira dona de um império, que parecia ser também uma mãe incrível. A partir das primeiras páginas, nós já podemos mensurar o impacto que a morte dela tem na vida da filha, porém, isso é só uma demonstração grátis. A mãe, ciente de que partiria em breve, prepara todo um esquema para que Brett seja desafiada a ter a vida que ela sempre sonhou, mas que se esqueceu.

“Onde foi parar aquela garota destemida e cheia de confiança que adorava entreter os outros?”

A mãe de Brett resgata uma lista com as metas de vida de Brett de quando ela era adolescente e condiciona o recebimento da sua herança ao cumprimento daquela lista dentro do prazo de um ano. Quando a protagonista se depara com as coisas que estão escritas ali, ela tem certeza de que irá falhar, mas o mais incrível desse livro é como o impulso proporcionado pelo amor que a mãe sempre nutriu pela filha a leva a tentar, mesmo consciente de que não conseguirá cumprir aqueles desafios e muito, muitíssimo frustrada com a mãe por está-la fazendo passar por isso. A confiança que Brett tem na mãe, mesmo quando não sabe que tem e mesmo quando está com raiva e revoltada, é uma coisa linda de se ler.

“- Ela sempre teve um sexto sentido. Quando algo me incomodava, eu não precisava falar nada pra ela. Ela falava comigo. E quando eu tentava convencê-la do contrário, ela olhava pra mim e dizia: ‘Brett, você está esquecendo que fui eu quem fez você. Sou a única pessoa no mundo que você não consegue enganar!’

“Quando estiver com medo, agarre-se a essa coragem e relaxe, porque agora você sabe que a tem, como eu já sabia o tempo todo.”

Vou me reservar ao direito de não adentrar tópicos mais específicos sobre o livro, mas o que não posso deixar de comentar para que, de algum modo, os faça entender como essa é uma leitura obrigatória, é que a jornada de Brett em busca das suas metas de vida de adolescente é uma jornada em busca de si mesma. Existe um muro grafitado com a seguinte frase perto da minha casa “A criança que você era teria orgulho do adulto que você se tornou?”. Eu pensei muito nisso enquanto lia esse livro. A jornada de Brett não é uma missão em busca de uma herança, mas da sua própria essência, perdida, negligenciada, suprimida pela vida, pelas falhas, pelo cotidiano, pela comodidade… Seria incrível se todos nós tivéssemos um prêmio ainda nessa vida ao fim da nossa jornada para encontrar os nossos propósitos, mas o que Brett descobre e nos ajuda a relembrar mais uma vez é que o prêmio é a própria jornada.

“Acredito que uma forte emoção, até mesma nascida do medo e da ansiedade, seja bem melhor do que uma vida de banalidades.”

“Continue se obrigando a fazer coisas que lhe dão medo, querida. Assuma os riscos e veja onde você aterrissa, pois são eles que fazem a jornada valer a pena.”

A lista de Brett é um livro intenso, incrível, lindo, que recomendo de olhos fechados e tendo cuidado para que as lágrimas não sejam derramadas nas páginas. Se você curte aquele tipo de literatura que toca a alma, te faz sair do casulo e te proporciona autodescoberta enquanto te entretém, esse é o seu livro.

“-É verdade. Sou uma pessoa de muita sorte. Mas há um limite para o que as fadas madrinhas podem fazer. Eu acho que cada um tem o poder de realizar seus próprios desejos. Só precisamos encontrar coragem para isso.”

Prit Blog

Esse foi um dos melhores livros que li esse ano, então fiz questão de deixar um pouquinho das minhas impressões – e do meu coração – nesse post. Vocês já devem imaginar que eu chorei rios ao longo dessa leitura, não é? Mas eu senti algo diferente nesse caso. Minhas lágrimas não eram apenas por ter me sentido tocada por uma belíssima história alheia, mas sim por revisitar a minha própria história. A Lista de Brett foi um presente pra mim em meio a um ano que já começou complicado e, por muitas vezes, questionei o porquê de tanta mudança. Seria tão mais fácil se eu simplesmente ficasse ali no meu cantinho do comodismo, vendo a vida passar… Não é mesmo, Brett? Rs.  Mas a felicidade se conquista a cada passo e não se caminha parado… O problema é que pra se dar conta disso, às vezes, precisamos sim de um empurrãozinho. Brett precisou que sua mãe a chacolhasse; eu precisei que o chão não estivesse mais embaixo dos meus pés. Ainda que, por meio de cartas, Elizabeth quis se certificar de que sua filha, tão cheia de vida e potencial, não deixasse os seus sonhos escorrerem pelo ralo em meio a ilusão de uma vidinha mais ou menos. Ela foi realmente uma mulher fantástica! A sabedoria e o amor latentes em suas palavras me ensinaram muito e um de seus questionamentos ecoam em minha mente até hoje: “Porque você não se sente merecedora dos próprios sonhos?” 

A obra de estreia de Lori Nelson Spielman é um convite para o autoconhecimento rumo a felicidade. Não se perca dentro das expectativas alheias, se permita ser quem você nasceu para ser! O que te deixa feliz? Estabilidade financeira ou fazer aquilo que te preenche emocionalmente? Ter um relacionamento visto pela sociedade como perfeito ou viver uma grande paixão? Fazer sempre aquilo que esperam de você ou se arriscar em busca de novos horizontes? Apesar de saber a minha resposta para todas essas perguntas, não posso dizer que achei o caminho das pedras. Não há um mapa para nos conduzir ao longo da nossa jornada pessoal. Mas de uma coisa eu tenho certeza: passei muito tempo tempo sonhando, agora é hora de despertar!

“Quem olha pra fora sonha

Quem olha pra dentro desperta.”

– Carl Jung 

É isso então, fica a dica pra vocês, espero que gostem! <3

Beijos e até mais! 😉

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Nota no Skoob: 4,4/5

Nota no GoodReads: 4,08/5

Nota de ANINHA: 4,4/5

Nota de PRIT: 4,8/5

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Resumo oficial:

“Brett Bohlinger parece ter tudo na vida — um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.

Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe — seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis.

Com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência. E vai descobrir que, às vezes, os melhores presentes da vida se encontram nos lugares mais inesperados.”

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