Resenha Literária: A Geografia de Nós Dois, de Jennifer E. Smith

Editora Galera | Young Adult/Romance

“Porque é isso que acontece quando se está com alguém assim: o mundo se encolhe e toma a proporção correta. Moldando-se para comportar apenas as duas pessoas, e nada mais.”

A Geografia de Nós Dois é um livro de Jennifer E. Smith, a mesma autora de A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista (que também tem resenha aqui no blog). Eu já tinha me apaixonado por ela quando li A Probabilidade, e essa paixão só se confirmou com essa segunda leitura. Jennifer é aquele tipo de autora que sabe escrever uma história simples, leve e que simplesmente flui. Você vai lendo e vai se envolvendo e quando vê já se entregou.

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O livro conta a história de Lucy e Owen. Lucy é uma adolescente que mora em Nova York desde pequena, cujos pais vivem viajando e cujos irmãos gêmeos acabaram de ir embora de casa para fazer faculdade. Com a falta dos pais ela aprendeu a lidar, porque tinha os irmãos, seus grandes amigos, como companhia, mas, ao se ver realmente sozinha pela primeira vez, depara-se com uma sensação nova, estranha e difícil de lidar. Owen é um garoto que está no seu último ano do high school, tem um futuro promissor e créditos suficientes para se formar e tentar qualquer faculdade, mas acabou de perder sua mãe em um acidente de carro. Sem conseguir viver na mesma casa que um dia foi o lar daquela família, Owen e seu pai, Patrick, se mudam da Pensilvânia para Nova York, onde Patrick recebeu uma proposta de emprego para trabalhar como administrador/zelador em um prédio, o mesmo prédio em que Lucy mora.

“Mas não existe começo que seja totalmente novo. Toda novidade chega no encalço de algo velho, e todo início vem à custa de um fim.”

Lucy e Owen, morando no mesmo prédio, tinham várias possibilidades de se conhecer, mas é em meio a um blackout que desliga toda a cidade de Nova York que eles ficam presos no elevador. Eles já tinham se visto antes por aí, mas nunca tinham se falado. Não tendo muito o que fazer enquanto esperam serem libertados daquela caixa de metal presa por um fio de aço, eles se falam pela primeira vez. A química entre os dois é notada de imediato. Não bastasse a narração dos seus pensamentos, as provocações que trocam um com o outro nas suas primeiras frases trocadas deixa isso evidente inclusive para eles mesmos. Mas então eles são libertados do elevador e parece que o momento acabou. Lucy mora no 24D, e Owen no subsolo. Ela oferece a ele uma lanterna, ele diz que não precisa, e cada um segue o seu caminho.

Entretanto, não era a isso que eles estavam destinados. Lucy e Owen não demoram muito a descobrir que não vão conseguir se desvencilhar um do outro com facilidade, ainda que a geografia pareça não colaborar com eles. Lucy vai se mudar, Owen também não vai ficar, cada um vai seguir para um lado do mundo, ele para oeste, ela para o leste, e é aí que a história deles começa, e a nossa história com eles começa também.

“Owen era como um de seus livros, ainda inacabado e melhor compreendido no lugar e hora certos. Mal podia esperar para ler o resto.”

Uma história doce, leve e muito gostosa de ler. É uma história sobre viagens e também sobre autoconhecimento, sobre enfrentar os fantasmas, consertar os erros do passado, dar uma chance ao acaso e descobrir que as coisas são como são, pelo menos, quando elas estavam destinadas a ser. Indico a leitura sem medo de errar. Se você estiver afim de uma leitura desse tipo, não tem erro.

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