Resenha de Filme: Mulher Maravilha

No dia 01 de junho de 2017, quinta-feira passada, estreou no Brasil o filme da Mulher Maravilha, dirigido por Patty Jenkins. O filme, que é a volta da Mulher Maravilha como protagonista depois de cerca de 40 anos da série de TV, é também o primeiro longa-metragem da heroína depois de 76 anos de sua criação. Não sabemos por que demorou tanto (bem, na verdade, sabemos), mas uma coisa é certa, o longa-metragem honrou todo esse tempo de espera.

O filme começa nos dias atuais, num momento, após Batman vs Superman, em que a Diana (Gal Gadot) já conhece Bruce Wayne, mas, em flashback, vai contar sobre o que a Mulher Maravilha já viveu, da sua infância em Themyscira (ilha das Amazonas), até a sua inserção no nosso mundo, em plena 1ª Guerra Mundial (que melhor momento para um deusa vir nos ajudar?).

“Mulher Maravilha” foi, sem dúvida, um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos e, de longe, o melhor dentre os mais recentes baseados nas histórias dos heróis da DC Comics. Apesar das minhas expectativas estarem nas alturas, graças às inúmeras críticas positivas publicadas antes mesmo da estreia oficial, ainda consegui ser surpreendida positivamente, além de ser tocada pela força, coragem e empatia de Diana Prince. Com um elenco maravilhoso, um enredo composto por mitologia, aventura, drama, romance e humor na medida certa, bem como por cenas de ação de tirar o fôlego – é muito lindo ver mulheres lutando, gente!!! –, o filme me conquistou completamente. Não posso deixar de tecer elogios à direção de Patty Jenkins que, com toda certeza, fez uma grande diferença e contribuiu para o sucesso da mensagem principal dessa obra, que fala sobre empoderamento feminino e, acima de tudo, sobre a perseverança da fé na humanidade.

– Prit

Diana foi criada para ser uma guerreira invencível, seu treinamento era muito mais intenso e exigente que o das outras Amazonas, e ela passou toda a vida sonhando com o dia em que Ares (deus da guerra) finalmente seria derrotado. Mas é quando o piloto Steve (Chris Pine) sofre um acidente e acaba (literalmente) caindo em Themyscira que ela se dá conta de que, para que Ares seja derrotado, ela precisa ir para o mundo dos homens.

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Steve (Chris Pine) e Diana (Gal Gadot)

O filme já arrepia desde o início. A primeira parte na ilha das Amazonas é puro poder, e não demora muito para que você se veja histericamente empolgado com as cenas de luta e agradecido por terem abusado dos efeitos especiais para maximizar as cenas ao invés de balançar a câmera terrivelmente a ponto de você não entender nada do que está acontecendo (minha crítica aos filmes de ação). As Amazonas não apenas são fortes como nos parecem invencíveis, o único problema é que elas não conhecem as armadilhas do nosso mundo.

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Antiope (Robin Wright)

O apelo sexual está ali, a começar pelos trajes da Mulher Maravilha e uma atriz incrivelmente linda, mas isso não me soa como um problema quando o filme vai muito além disso. A Mulher Maravilha é claramente feminista, assim como as Amazonas, e isso é algo totalmente natural. Numa ilha em que não há nenhum homem para tentar oprimi-las ou subjugá-las, as mulheres são livres para se darem conta do quanto são fortes, capazes e donas de si, e o resultado disso é (com o perdão do trocadilho) maravilhoso. A escolha de uma mulher para a direção não poderia ter sido mais acertada, foi essencial para que a história fosse retratada da forma correta, com o cuidado de cada detalhe que, ao final, representa mais que apenas um detalhe.

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Patty Jenkins e Gal Gadot

Patty Jenkins foi a primeira mulher a dirigir um filme da DC (na Marvel nem teve ainda), mas não precisa ser a única, tampouco a última. É o que ela mesma disse em entrevista: “Tenho certeza de que há muito tempo existe uma crença de que certos trabalhos são masculinos. Mas fico muito confusa com o fato de a direção cair nessa categoria. Porque me parece um trabalho bem natural para uma mulher. De certa forma é algo incrivelmente maternal. Você está cuidando das mais variadas coisas.” Além do mais, corta essa de trabalho masculino, né gente?

Assistir ao filme A Mulher Maravilha foi uma experiência maravilhosa para mim. Adianto que não vou me ater a questões técnicas aqui, trata-se apenas de um comentário de uma espectadora outrora ansiosa e agora muito satisfeita e empolgada com o que viu nas telonas. Eu sou apaixonada pelo universo dos quadrinhos. Apesar de não ter lido HQs o suficiente pra dizer que sei muito sobre tudo, meu pai sempre foi fã de histórias de super-heróis e eu herdei a paixão dele, então, sei o básico e também aquilo que o google nos conta ou que os amigos mais nerds ajudaram a suprir de lacunas de informação ao longo do tempo. A questão é que tudo em torno desse filme tinha uma pitada a mais de expectativa, porque, claro, precisamos levar em conta o quanto a representatividade é importante e, portanto, o quanto, como mulher, eu me sentia ansiosa por ser representada por uma super-heroína e não apenas pelos pares românticos de super-heróis – que são também personagens incríveis, mas, quero dizer, eu desejava a nossa dose merecida de protagonismo feminino. Por essas e por outras tantas razões, fiquei encantada com o filme! Além de a história da Mulher Maravilha por si só ser fantástica, ela foi retratada brilhantemente por uma outra mulher fantástica, porque a Gal Gadot, que merecidamente ganha os holofotes agora, mostra que veio pra ficar e ocupar um espaço justíssimo. Mas, principalmente, é preciso ressaltar o quanto o filme foi bem realizado por ter sido dirigido sob a perspectiva de uma mulher, a Patty Jenkins. Cara, muitas palmas para elas, para todas as mulheres envolvidas no projeto e também para todos os homens que deram sua contribuição para tornar essa uma obra cinematográfica icônica para quem ama o universo dos quadrinhos e também ansiava por uma recuperação da DC Comics no que tange a cinema! Definitivamente, com A Mulher Maravilha eles deram a volta por cima. Trata-se de um filme empolgante e envolvente do começo ao fim. E não digo que é um enredo perfeito, sabe? Houve falhas, mas, honestamente, é preciso colocar tudo na balança no fim das contas e o que me incomodou não foi o suficiente para tirar o brilho dos meus olhos! Enfim, gostei bastanteeeeeeeeeee! Amei! Agora estou ansiosa pela Liga da Justiça e espero que continuem mantendo o padrão elevado e dando o lugar de reconhecimento merecido a essa heroína tão inspiradora, cativante e guerreira! <3  

– Anamaria Fônseca

A história toda acaba sendo uma linda construção do passado da Mulher Maravilha. A transição de quem ela era e do que se tornou faz todo sentido a partir das suas vivências. O choque de realidade e o entendimento do que é a humanidade, assim como o questionamento de se realmente merecemos a bondade ou sequer o olhar dos deuses, tudo isso foi feito de forma bastante acertada. Até mesmo um momento que muitos podem considerar um clichê ou até mesmo um erro, faz bastante sentido se for analisado quem é Diana e o quanto ela tem de bondade em si.

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Prit, Thai (eu) e Aninha

Enfim, o filme da Mulher Maravilha foi um grande acerto depois de uma série de desastres e erros do universo dos heróis e das HQs, especialmente, em 2016. Agradeço a Gal Gadot por trazer uma heroína incrível à vida, agradeço também a Patty Jenkins pelo presente de uma história coerente e apaixonante, e fico torcendo pelo sucesso absoluto das duas. No mais, fica a dica de um super-filme para vocês e um graças à deusa Diana porque finalmente a cultura pop está “pronta” pra engolir um filme em que a protagonista é uma super-heroína forte e maravilhosa (ok, eu adoro esse trocadilho!).

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