GAROTA, acredite, você é PODEROSA

Dia 08 de março, dia internacional da mulher, um dia para reforçar a ideia da qual nós devemos nos lembrar em todos os outros dias do ano e da vida: somos importantes, somos fortes e todas nós merecemos respeito porque ele é nosso por direito; podemos ser quem quisermos ser, podemos agir como quisermos agir, porque somos livres e merecemos ser tratadas com igualdade de gênero – e quando digo “merecemos”, não quero dizer que fizemos ou que devemos fazer algo para merecer, mas que o merecimento é nosso por essência.

Relembrando a minha vida, eu me recordo dos rótulos que me foram dados simplesmente por eu ser como sou. Quando criança, boa parte dos meus amigos eram meninos, na escola, eu tinha minhas amigas, e eu também tinha minhas primas, mas todas as amigas da minha mãe tiveram meninos, então, eu brinquei muito com garotos. Brinquei de cozinhar, de desfilar, de ser dona de boutique, de fada bela, de chiquititas, de boneca, mas também brinquei de boneco, de lego, de carrinho, de bola, de power rangers, de esconde-esconde, de polícia-e-ladrão, de pega-pega, de triscou-congelou e de tanta coisa que eu nem me lembro. Sempre fui a bruta, a agressiva, porque foi como eu aprendi a ser, ou é apenas um traço da minha personalidade, tanto faz. Mas, por conta disso, na escola, cheguei a ouvir comentários do quanto eu tinha um jeito masculino de agir e insinuações de que eu deveria ser “sapatão” por não ser tão “menininha” como eu “deveria”. Com o tempo, aprendi que isso não é nenhum insulto, apesar de a intenção das pessoas ter sido sim a de me insultar. Não sou homossexual nem me identifico com o gênero masculino, mas não haveria nada de errado comigo caso eu fosse ou me identificasse. É meu direito ser quem eu sou, como eu sou e como eu quiser ser, aos outros, só cabe me respeitar. Brincadeira de menino e de menina? Quem se importa? Crianças podem brincar do que quiser, sem essa normatização de gênero já tão ultrapassada, por favor.
Nos filmes, eu sempre buscava a personagem forte, a garota poderosa, porque sempre foi como eu me senti e como eu queria ser. A Xena, uma princesa guerreira, que sonho! Pelas princesas com vestidos pomposos da Disney, eu me interessei pouco, eu preferia a princesa Ariel, com sua calda verde e seu biquíni de conchas, e a Pocahontas, com seu vestido rústico e sua pele morena. As Panteras e As Três Espiãs Demais?! Como eu adorava! O que também não quer dizer que eu nunca gostei de “meninices” – ou ao que socialmente se rotula dessa forma. Gosto de roupas, de maquiagem, de sapatos e de bolsas. Adoro filmes românticos, daqueles bem melosos, sabe? E o que isso tem de contraditório? Simplesmente nada. Ninguém precisa entender você, ninguém precisa achá-la coerente, você não precisa se explicar ou se justificar para ninguém, é você quem tem que estar bem consigo mesma, é a você que você tem que ser fiel. Eu sempre bato nessa tecla e vou continuar batendo enquanto ela for necessária, e é uma pena que ainda seja.
Falando sobre esse assunto, não consigo deixar de me lembrar de uma reportagem que vi há pouco tempo sobre uma menininha de 7 anos chamada Maggie, que tirou uma foto super chateada ao lado de uma propaganda num supermercado da franquia Tesco que dizia que os brinquedos de super-heróis eram para meninos. A mãe dessa menininha tirou a foto e postou no twitter. Não deu outra, a loja pediu desculpas e retirou a propaganda. Não preciso nem dizer o quanto eu adorei isso, não é?
 
Maggie muito chateada com o anúncio da Tesco
 
São pequenas coisas, pequenos exemplos, que nos mostram como a igualdade de gênero ainda é uma realidade distante e como não somos respeitadas quando destoamos do padrão que nos é imposto. Sofremos esse tipo de pressão desde a infância, mas não apenas na infância. Quando crescemos, depois de tudo isso, passamos a enxergar essas divisões como naturais, e, por isso, muitas vezes, sequer as reconhecemos como divisões impostas. Quando somos questionados sobre o assunto, dizemos que sempre foi assim, que assim é que deve ser e que não há porque questionar isso agora, mas a verdade é que nos fizeram pensar assim, nos pressionaram até que não conseguíssemos mais pensar de outra forma, fomos condicionados a não acreditar que podemos ter os mesmo direitos. Se eu começasse a exemplificar essas situações no cotidiano de uma pessoa adulta, eu não pararia mais. Por isso, me ative a mostrar como isso começa, ou será que começa ainda antes? Quando os pais descobrem que vão ter uma menina e decidem colorir o quarto todo de rosa e o pai fala que só vai deixar a filha namorar com 30 anos e morre de rir do comentário? Será mesmo que é tudo assim tão natural ou fizeram parecer natural desde antes de você poder se dar conta?
Neste dia, que é um dia importante, assim como todos os outros, pois a luta deve se dar diariamente, eu queria trazer um pouquinho dessa reflexão para vocês. Espero que tenha cumprido o papel a que me propus. Que a igualdade de gênero um dia seja concretizada em sua plenitude. Que sejamos respeitadas, independente da nossa cor, sexualidade, condição social ou religião. Que aprendamos que podemos ser quem e como quisermos ser. Que sejamos mulheres, que saibamos reconhecer o nosso valor, a nossa força e o nosso poder. Afinal, acredite, somos todas poderosas, porque somos nós que temos o poder de decidir o que queremos ser, então, use o seu poder. A você mulher, cis ou trans, um feliz dia da mulher, hoje, amanhã e todos os outros dias. Continuemos na luta. 
 
 

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